Foto: Rodrigo Paiva/Getty Images

Após sentir-se mal e ser submetido a um cateterismo, o médico José Henrique Germann deixou a Secretaria estadual da Saúde na semana passada. Para o lugar de Germann, o governador João Doria (PSDB) escolheu outro médico: Jean Gorinchteyn, que até então trabalhava com médico infectologista do Instituto Emilio Ribas e do Hospital Israelita Albert Einstein.

Gorinchteyn é professor de infectologia na Universidade de Mogi das Cruzes, onde se formou em medicina. Também é mestre em doenças infecciosas pela Coordenação dos Institutos de pesquisa da Secretaria de Saúde do Estado de São Paulo e é doutor pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).

Na sua primeira manifestação como novo secretário, Jean Gorinchteyn disse que, no momento, a pandemia no Estado de São Paulo se encontra num platô. Por isso, é preciso ser “muito austero e vigilante”.

Sobre a situação do interior, Gorinchteyn disse que houve uma desaceleração tanto no número de casos como no número de óbitos. João Gabbardo, coordenador executivo do Centro de Contingência do Combate ao Coronavírus em São Paulo, acredita que o aumento do número de casos no interior não se trata de uma tendência.

A troca de Germann por Gorinchteyn é a segunda por motivo de saúde no governo João Doria. Vale lembrar que no dia 8 de maio, o médico infectologista, David Uip, que até então coordenava o Centro de Contingência do Coronavírus no Estado, deixou o cargo por recomendação médica também após registrar alterações cardíacas.

Naquela oportunidade, Dimas Covas, que o diretor do Instituto Butantan, assumiu o cargo.

Depois disso, no dia 2 de junho, João Gabbardo, que havia sido o secretário-executivo do Ministério da Saúde na gestão de Luiz Henrique Mandetta, veio trabalhar no combate ao coronavírus em São Paulo.

As mudanças de no Centro de Contingência do Coronavírus não alteram o perfil nem as diretrizes da equipe que comanda a pandemia. Vale recordar que tanto Dimas Covas quanto Jean Gorinchteyn são médicos de renome e possuem o perfil técnico de seus antecessores — José Henrique Germann e David Uip.

A gestão da pandemia continua sendo um importante desafio para João Doria, sobretudo após a troca de peças importantes na Secretaria de Saúde. Não bastasse isso, problemas internos no PSDB acabam trazendo desgastes.

Na semana passada, novamente uma operação da chamada Lava-Jato eleitoral atingiu o senador José Serra (PSDB-SP). O ex-governador Geraldo Alckmin (PSDB-SP) também foi atingido pela Lava Jato paulista ao ser denunciado pelo Ministério Público de São Paulo (MP-SP) por falsidade ideológica eleitoral, corrupção passiva e lavagem de dinheiro.

Embora tucanos históricos como Serra e Alckmin não sejam muito simpáticos a Doria, o episódio acaba trazendo desgastes para o governador. As últimas operações da Polícia Federal (PF) também são ameaças para o prefeito da capital paulista, Bruno Covas (PSDB), que disputará à reeleição em novembro, assim como os demais prefeitos tucanos no Estado que buscarão um novo mandato. Preocupado com o desgaste da denúncia contra Geraldo Alckmin sobre a candidatura de Bruno Covas, Alckmin anunciou na semana passada sua saída da coordenação da campanha de Covas à reeleição.

Ao mesmo tempo, o desgaste de Serra e Alckmin cria uma oportunidade para Doria avançar na reformulação do PSDB.

Mesmo que o governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite (PSDB), também seja mencionado como uma alternativa de futuro no ninho tucano, João Doria tem a seu favor o peso de comandar a grande vitrine do partido no país: o poderoso Estado de São Paulo, o que naturalmente o cacifa para voos políticos maiores.

Antes disso, ser bem-sucedido no controle da pandemia do coronavírus é fundamental para o futuro político não apenas de João Doria, mas também do PSDB. Por isso Doria tem dado um amplo espaço na agenda para a Coronavac – a vacina experimental da fabricante chinesa Sinovac em parceria com o Instituto Butantan – que começou a ser testada em profissionais da saúde do Hospital de Clínicas de São Paulo na semana passada.

Outro obstáculo que Doria precisa gerenciar é a perda de arrecadação. Na semana passada, foi anunciado o adiamento do carnaval e da parada LGBT, além do cancelamento da Fórmula 1 na capital paulista. Antes disso, o réveillon também havia sido cancelado. A perda desses eventos deve provocar um prejuízo para os cofres públicos superior a R$ 3 bilhões.