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Pandemia diminuiu número de passageiros em 500 milhões. Empresas demandam maior suporte do governo

Para as empresas de transporte urbano sobre trilhos, o segundo trimestre deste ano representou uma grande queda no número de passageiros e, consequentemente, uma diminuição na receita. Dados divulgados pela Associação Nacional dos Transportadores de Passageiros sobre Trilhos (ANPTrilhos), mostram uma queda de 73% no número de passageiros transportados, cerca de 500 milhões de passageiros a menos. Essa diminuição atingiu em cheio o caixa das empresas, uma vez que resultou em uma queda de arrecadação de R$ 3,6 bilhões em bilhetes.

Os gráficos mostram que a redução no número de passageiros ocorreu entre a segunda e a terceira quinzena de março, quando a Organização Mundial da Saúde declarou que o novo coronavírus havia se tornado uma pandemia.

A SuperVia, empresa que administra os trens urbanos do Rio de Janeiro, representa bem as dificuldades enfrentadas pelas empresas do setor. Em comunicado, afirmou que se não houver algum apoio financeiro estatal, as atividades podem ser paralisadas a partir de agosto, já que não haverá caixa suficiente para pagar contas de energia e fazer a manutenção da frota, por exemplo.

Nota divulgada pela companhia diz que a diminuição no número de passageiros durante a pandemia foi na ordem de 31 milhões, gerando um prejuízo de R$ 102 milhões desde o início da crise.

“A demanda dos passageiros chegou a cair 74% e agora se estabilizou em torno de 60%. Por outro lado, os gastos fixos com folha de pagamento e energia se mantiveram porque o custo para operar os trens com baixa lotação ou a lotação normal é o mesmo”, diz nota da empresa.

O Vice-Presidente Executivo da ANPTrilhos, João Gouveia, em entrevista ao site O Brasilianista, defendeu que as perdas não devem elevar as tarifas de trem e metrô. Porém, defendeu que o Governo Federal e os governos estaduais socorram as empresas em dificuldade.

“Em contratos novos já há o mecanismo da ‘banda’, que permitem a divisão de lucros e de prejuízos entre concessionárias e governo. Mas empresas com contratos mais antigos não possuem esse mecanismo. Por isso que essas empresas estão anunciando que, se não houver ajuda, elas podem colapsar”, explica.

Gouveia defende que o interesse social sobre o serviço de transporte público precisa motivar governos a socorrerem as companhias. “Nós não paramos nenhum dia. Isso para poder atender as pessoas que trabalham em serviços essenciais. O custo de manutenção é muito alto e é tudo por conta do concessionário”. De acordo com a ANPTrilhos, as medidas de seguranças adotadas por conta do novo coronavírus aumentaram os custos das empresas com limpeza e sanitização dos vagões e estações.

Reportagem, Daniel Marques