Foto: Alan Santos/PR

Esta semana foi marcada pelo aumento da pressão contra a condução do governo a respeito da pandemia de coronavírus. No final de semana, o ministro do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes, teceu duras críticas ao Exército, afirmando que não cabe aos militares formular políticas públicas de saúde, ainda mais dado a gravidade do momento.

Na terça-feira (14), o vice-presidente da República, Hamilton Mourão, afirmou que o presidente Jair Bolsonaro estava perto de substituir o ministro interino da Saúde, general Eduardo Pazuello. Pazuello era secretário executivo da pasta e assumiu o cargo atual em maio, quando o então ministro Nelson Teich pediu demissão. O Brasil chega ao segundo mês sem um ministro de Saúde titular em meio a maior crise sanitária das últimas décadas, que já matou mais de 70 mil brasileiros.

Ontem (15), o primeiro ministro da Saúde do governo Bolsonaro, Luiz Henrique Mandetta, criticou a substituição da equipe técnica do ministério por militares. Para ele, “acabaram com a credibilidade do ministério” e afirmou “ele não tem nenhuma formação na área. Zero”. Mandetta completou, “eu só vejo é acúmulo de óbitos nessa política que está sendo feita”.

O presidente Jair Bolsonaro, por outro lado, saiu em defesa de Pazuello. O mandatário chegou a afirmar que “Pazuello é um predestinado, nos momentos difíceis sempre está no ligar certo para melhor servir a sua Pátria”. O Planalto reconhece o desgaste causado pelas críticas à equipe de Saúde.

De acordo com auxiliares e interlocutores do Palácio do Planalto, é provável que um novo ministro seja anunciado até agosto. A tendência é que, se Pazuello optar por continuar no Executivo, deve pedir transferência para a reserva do Exército, assim como ocorreu com o ministro da Secretaria de Governo, Luiz Eduardo Ramos. Caso contrário, a saída do ministro interino da Saúde atende a pressão do Exército.