Foto: JOHANNES EISELE/GETTY IMAGES

Não é de hoje que as relações comerciais entre Brasil e China atingem recordes e fecham as quotas de exportação com superávit. De acordo com dados publicados pela série histórica elaborada pela Secretaria de Comércio Exterior (Secex) do Ministério da Economia, de 2010 a 2019 o fluxo de comércio com o gigante asiático gerou para o Brasil superávit de US$ 137,2 bilhões, o maior saldo já obtido com um parceiro comercial em qualquer época da história do comércio exterior brasileiro.

Isoladamente, o ano que registrou o maior superávit foi 2018, quando as exportações para a China totalizaram US$ 63,919 bilhões, enquanto as importações atingiram US$ 37,730 bilhões, gerando um saldo da ordem de US$ 36,199 bilhões.

Além disso, naquele mesmo ano, o intercâmbio sino-brasileiro superou a barreira dos US$ 100 bilhões pela primeira vez. A série histórica da Secex reúne dados globais do comércio exterior brasileiro de 1997 a 2020, os quais revelam que a relação entre os dois países apresentou déficit somente nos quatro primeiros anos do levantamento, com a China acumulando saldo de US$ 519 milhões em trocas comerciais com o Brasil. Em 2001, a situação foi revertida e a balança comercial bilateral proporcionou saldo brasileiro de US$ 681 milhões.

Nesses vinte anos compreendidos pelo estudo da Secex, o comércio das maiores economias asiáticas e a América Latina cresceu de forma exponencial, chegando a números impressionantes – se, em 1997, o Brasil exportou US$1,088 bilhão para China e importou US$ 1,159 bilhão; em 2019, a exportação foi de US463,558 bilhões e a importação, de US5 35,271 bilhões, resultando em um superávit brasileiro de US$ 28, 287 bilhões.

Já para a nova década, a tendência é continuar crescendo: de janeiro a junho de 2020, a China foi destino final de 33,8% de toda a exportação brasileira, mais um recorde alcançado pelo maior parceiro comercial do Brasil, contando um total de US$ 34,351 bilhões de embarques de mercadorias brasileiras para o gigante asiático. Esse montante representa 14,6% de alta em relação ao mesmo período de 2019, e de US$ 16,695 bilhões em importações de produtos chineses, correspondente a 12% das compras totais do Brasil, e fechando o primeiro semestre com superávit de US$ 17,659 bilhões.

A título de comparação, o segundo principal destino das exportações brasileiras, os Estados Unidos, absorveu somente 8,5% de todo o volume de mercadorias nacionais exportadas.