Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil

Embora do ponto de vista jurídico a prisão de Fabrício Queiroz (18), ex-assessor do senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ), não traga (por enquanto) problemas mais graves para o presidente Jair Bolsonaro, as manifestações do advogado Frederick Wassef, marcadas por contradições, e a forma como o ex-ministro da Educação Abraham Weintraub saiu do Brasil, aumentam a pressão política sobre Bolsonaro.

Em declarações à imprensa durante o fim de semana, Wassef negou que Queiroz estivesse morando em sua casa, em Atibaia (SP), e que seja seu advogado. Além disso, disse ser vítima de uma conspiração contra o presidente. Wassef também contradisse uma versão de Karina Kufa, advogada de Jair Bolsonaro, segundo a qual ela seria a única advogada do presidente. Wassef sustenta que ele é advogado do presidente e de Flávio.

Fora essa contradição, do ponto de vista político o caso Queiroz, que atinge fortemente Flávio Bolsonaro, respinga no presidente porque o núcleo familiar é um importante pilar do bolsonarismo. Trata-se de um problema que politicamente passa a fazer parte do Palácio do Planalto. Prova disso foi a postura reativa mantida pelo presidente nos últimos dias.

Bolsonaro também está sendo pressionado pela polêmica em torno da ida de Weintraub para os Estados Unidos, onde foi indicado pelo governo brasileiro para exercer o cargo de conselheiro no Banco Mundial. Repercussão negativamente o fato de ele ter deixado o Brasil ainda na condição de ministro da Educação, sendo exonerado apenas depois de pisar em solo americano. Ao entrar nos EUA ainda na condição ministro, Weintraub usou o passaporte diplomático. Sua exoneração foi publicada quando ele já estava em solo americano.

Mesmo que o governo argumente que essa demora na oficialização de sua saída do ministério tenha ocorrido devido a questões burocráticas, surge na opinião pública a narrativa de que Weintraub teria saído rapidamente do país para não ser preso, já que é investigado por racismo em um inquérito aberto no Supremo Tribunal Federal. Toda essa polêmica pode desgastar ainda mais a imagem do Brasil no cenário externo, principalmente se o ex-ministro acabar tendo seu nome rejeitado pelo Banco Mundial para exercer o cargo para o qual foi indicado por Bolsonaro.