Foto: Marcos Corrêa/PR

Levantamento da Arko Advice mostra que, nas últimas semanas, a aproximação do governo com o Centrão tem sido constante. Foram feitas, pelo menos, 17 nomeações de peso ligadas ao grupo em órgãos e empresas diversos, entre os quais a Diretoria de Ações Educacionais do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), a Fundação Nacional de Saúde (Funasa), a Hidrelétrica de Itaipu e a Secretaria de Vigilância em Saúde (SVS).

Os laços podem ficar mais fortes com a possibilidade de indicações no Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) e no Banco do Nordeste. Mas o que pode estreitar a relação mais ainda é a eventual recriação do Ministério da Segurança Pública.

Na gestão do ex-ministro da Justiça e Segurança Pública Sérgio Moro, o presidente Jair Bolsonaro, em uma reunião com governadores, chegou a abordar a ideia. A recriação da pasta desagradou ao então ministro e foi motivo de embate público entre ambos. A recriação do ministério atenderia a demandas do Centrão, de alguns governadores e da bancada da segurança pública no Congresso, conhecida como “bancada da bala”.

A aproximação do governo com o Centrão tem sido positiva para Bolsonaro no sentido de manter a temperatura política relativamente controlada e conter um eventual pedido de impeachment contra ele na Câmara. Mas ainda não tem sido traduzida em votos consistentes a favor do Planalto. Na semana passada, por exemplo, várias matérias de interesse do governo, como medidas provisórias, não foram analisadas.

A aproximação também tem causado constrangimentos ao governo. A Procuradoria-Geral da República denunciou no Supremo Tribunal Federal o deputado federal Arthur Lira (PP-AL), um dos principais líderes do PP e do Centrão no Congresso, por corrupção passiva, em uma investigação da Operação Lava-Jato que apurou pagamento de propina a partir de contratos firmados entre a Petrobras e a construtora Queiroz Galvão. Apesar de o episódio não representar um grande problema para Bolsonaro, mancha a bandeira anticorrupção empunhada por ele em sua campanha, tema já desgastado pela saída de Moro do governo.

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Vice Presidente e sócio da Arko Advice desde 1999, Cristiano Noronha é Administrador de Empresas e Mestre em Ciência Política pela Universidade de Brasília. Foi professor de Ciência Política e Administração (UPIS e UNB). Cristiano regularmente profere palestras para investidores estrangeiros nos Estados Unidos e Europa. É editor-chefe do “Cenários Políticos”, “Política Brasileira”, newsletter semanal de análise política da Arko Advice, assinado por centenas de bancos, fundos de investimento e empresas nacionais e multinacionais.