Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil

Na semana que passou, o governo do presidente Jair Bolsonaro testou sua nova base aliada na Câmara dos Deputados. Reforçado pelo Centrão, que vem recebendo cargos no segundo escalão da administração federal, o grupo que apoia o Palácio do Planalto conquistou uma importante vitória.

O Centrão já vinha dando mostras de apoio ao governo, mas era preciso ser testado em uma ocasião mais complexa. A votação da Medida Provisória nº 936, que permite a redução de salário e de jornada e suspensão do contrato de trabalho, era tida como ideal para mensurar a fidelidade dos novos aliados. O Centrão capitaneou a principal votação do processo, a que definiria o custo da medida. O bloco composto por Progressistas, PL, PSD, Republicanos, PTB e Solidariedade não só foi o autor do destaque que propôs a troca da base de cálculo por parâmetro mais favorável ao governo, como também entregou 132 votos, o que representa 77% dos 172 deputados que integram o grupo.

Em outro destaque de interesse do governo, também proposto pelo bloco, a adesão foi ainda mais expressiva. A exclusão do texto da obrigatoriedade de participação dos sindicatos em rescisões de contratos contou com 148 votos de partidos do Centrão.

Esses números não permitem quantificar exatamente quantos aliados Bolsonaro tem no Centrão, mas dão uma noção do tamanho médio de apoio que ele poderá obter nesse grupo. Cabe ressaltar que esse patamar pode oscilar, a depender do nível de desgaste do presidente e dos interesses em pauta no momento.

O Centrão é decisivo para a sobrevivência do governo. Além de garantir alguma governabilidade, levando-se em conta que o apoio não é irrestrito, também pode evitar o avanço de eventuais processos de afastamento compulsório de Bolsonaro da Presidência. Por si só, o bloco poderia barrar qualquer iniciativa nesse sentido, já que possui o número exato de votos necessários para tal (172). Porém, não há unanimidade interna em favor da aliança com o governo. Dessa forma, o presidente teria que buscar a complementação em outros partidos de centro e de direita, o que no quadro atual não seria algo complicado.