Foto: Germano Lüders/EXAME

A balança comercial teve superávit de US$ 4,548 bilhões em maio, segundo dados divulgados hoje (1º) pelo Ministério da Economia. Quanto a maio do último ano, nota-se uma retração de 19,1% no saldo comercial positivo, o que representa o pior resultado para o mês de maio em cinco anos. A diminuição do superávit comercial ocorre em meio à pandemia do novo coronavírus (Covid-19), que acarreta a baixa no fluxo de comércio entre os países. Essa queda não tinha sido verificada em abril, quando o saldo positivo foi o melhor para esse mês em três anos.

No que diz respeito às exportações, percebe-se um decréscimo de 4,2%, indo para US$ 17,940 bilhões, resultado direto do intenso recuo dos preços internacionais – puxado pelo enfraquecimento da demanda global – diminuindo para 15,6% os preços dos bens exportados pelo Brasil, ante o mesmo mês do ano anterior. Contudo, as exportações subiram 5,6%, tendo por base somente o volume exportado, o demonstra o bom desempenho das exportações brasileiras frente a queda generalizada dos embarques internacionais.

De acordo com o Ministério da Economia, foi possível registrar um recorde histórico, ao levar em consideração todos os meses, nos embarques de: petróleo em bruto (8,4 milhões de toneladas); açúcares e melaço (2,7 milhões de toneladas);farelo de soja (2 milhões de toneladas); e carne bovina (155 mil toneladas). Em relação somente aos meses de maio, nota-se um recorde na venda externa de: soja (15,5 milhões de toneladas); óleos combustíveis (1,6 milhão de toneladas), alumina (789 mil toneladas), carne de aves (373 mil toneladas) e café (216 mil toneladas).

Quanto às importações, o valor total chegou a US$ 13,392 bilhões no mês de maio, registrando uma baixa de 1,6% pela média diária. Houve queda nas importações de combustíveis e lubrificantes (-61,6%); bens de consumo (-24,3%); e bens intermediários (-11%). Por outro lado, aumentaram as compras de bens de capital (+144,4%).

Já na parcial do ano, percebe-se que o acumulado dos cinco primeiros meses teve um saldo da balança positivo, cuja soma foi US$ 16,349 bilhões. Desse modo, o superávit comercial caiu 19,5% ante o mesmo período de 2019, quando o resultado foi de US$ 20,303 bilhões – o que também significa o pior resultado, para esse período, em cinco anos, ou seja, desde 2015, quando houve um déficit de US$ 2,343 bilhões.

No acumulado de 2020, as exportações totalizaram US$ 85,301 bilhões, com média diária de US$ 836 milhões (baixa de 4,5% ante o mesmo período de 2019). As importações chegaram a US$ 68,952 bilhões, com média diária de US$ 676 milhões – o que representa uma diminuição de 0,6% ante o mesmo período do ano passado.

Os principais compradores de produtos brasileiros no acumulado deste ano foram: China, Hong Kong e Macau (US$ 28,837 bilhões); Estados Unidos (US$ 8,571 bilhões); Países Baixos (US$ 3,591 bilhões); Argentina (US$ 3,091 bilhões); e Cingapura (US$ 2,146 bilhões).

O mercado estima para este ano uma nova retração do saldo comercial. Em 2019, a balança comercial teve superávit comercial de US$ 48 bilhões, com saldo positivo, graças sobretudo à exportação de produtos básicos, porém, 19,6% inferior ao de 2018. Pesquisa realizada pelo Banco Central na última semana sinaliza, para 2020, um saldo positivo de US$ 45,5 bilhões nas transações comerciais do país com o exterior. Já o Banco Central espera um superávit da balança comercial de US$ 33,5 bilhões neste ano, com exportações em US$ 191 bilhões e importações de US$ 157,5 bilhões. Por sua vez, o Ministério da Economia prevê um saldo comercial de todo ano de 2020 em US$ 46,6 bilhões.