Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil

O presidente Jair Bolsonaro afirmou, na manhã de hoje que, devido aos cumprimentos de mandado da Polícia Federal, ontem foi um “dia triste da nossa história”, mas que foi o “último”. Nós queremos a paz, harmonia, independência e respeito. E democracia acima de tudo”.

O presidente elevou o tom. Disse também: “Com todo o respeito que eu tenho a todos integrantes do Legislativo, do Judiciário e do meu próprio poder, [mas] invadir casas de pessoas inocentes, submetendo a humilhações perante esposas e filhos, isso é inadmissível.” Para Bolsonaro, o STF quer acabar com a mídia pró-governo.

As declarações do presidente têm algumas consequências importantes. Em primeiro lugar aumenta a tensão entre os poderes. Segundo, une ainda mais o STF contra o governo. Terceiro, haverá repercussões políticas, no sentido de que o Centrão se valoriza ainda mais.

No curto prazo, há um aspecto importante a ser observado. O ministro da Justiça André Mendonça apresentou habeas corpus contra decisão do ministro Alexandre de Moraes que deu cinco dias para o ministro da Educação, Abraham Weintraub, prestar depoimento no inquérito das ‘fake news’ contra a Corte. A determinação partiu após a revelação de falas do ministro durante a reunião de governo no último dia 22 de abril, quando defendeu prisão para os integrantes do STF.

O deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) criticou (27) a atuação dos ministros do Supremo Alexandre de Moraes, que autorizou mandados de busca e apreensão contra aliados do presidente Jair Bolsonaro, e Celso de Mello, responsável pela investigação da suposta interferência de Bolsonaro na Polícia Federal. O parlamentar afirmou não ter dúvida de que será alvo de uma investigação em breve e disse que participa de reuniões em que se discute “quando” acontecerá “momento de ruptura” no Brasil. No Planalto, há preocupação de que Eduardo Bolsonaro e o vereador Carlos Bolsonaro sejam os próximos alvos de ações da PF.

A situação merece atenção. Mas, na avaliação da Arko Advice, o risco de ruptura ainda é baixo, embora o de agressões contra as instituições seja alto.