Foto: Arquivo/Agência Brasil

Sondagem Industria da Construção, divulgada na última sexta-feira (22) pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), revela que a indústria da construção foi fortemente afetada em abril, com utilização da capacidade operacional em 50% – o que representa o valor mais baixo da série histórica, iniciada em 2012.

Segundo a CNI, a queda deve-se, sobretudo, aos efeitos da crise provocada pelo novo coronavírus (Covid-19) na atividade. Estima-se que a alta ociosidade da indústria permaneça enquanto durar o isolamento social. Os índices de evolução do nível de atividade e do número de empregados se mantêm em um patamar bastante inferior ao da linha de 50 pontos.

Já o indicador de evolução do nível de atividade atingiu 29,4 pontos e o índice de evolução do número de empregados caiu para 24,1 pontos. Ressalte-se eu esse dado oscila entre 0 e 100 e todo valor abaixo de 50 é negativo.

Com esse cenário, foi de 37,6 pontos em maio o Índice de Confiança do Empresário Industrial da Construção (ICEI-Construção), valor também bem inferior àquele do ponto no qual que se iniciam expectativas otimistas.

Outros setores
O setor mobiliário figura entre os mais afetados em abril, com a maior queda na produção no emprego e menor uso do parque fabril efetivo em relação ao usual. Também tiveram quedas duras na produção e utilização da capacidade instalada: produtos têxteis, vestuário e acessórios, calçados e suas partes, impressão e reprodução e veículos automotores.

Por outro lado, os setores menos impactados foram: perfumaria, sabões, detergentes, produtos de limpeza e de higiene pessoal, e o setor de farmoquímicos e farmacêuticos – com quedas da atividade mais suaves em comparação ao restante da indústria. A sondagem ressalta também que os setores de alimentos e químicos, que apareciam entre os destaques positivos em março, ainda registraram desempenho menos negativo do que o restante da indústria em abril.

Na avaliação da CNI, a pandemia do novo coronavírus fez com que o nível de produção e o número de empregados sofressem baixas de intensidade e disseminação nunca registradas nas séries mensais desses índices – que tiveram início em 2010. Em abril, o índice de evolução da produção alcançou 26 pontos, o que significa 24 pontos abaixo da linha divisória de 50 pontos – valor que separa queda e crescimento da produção.

Ainda segundo a pesquisa da entidade, o número de empregados registrou intensa queda em abril e o seu índice se distanciou expressivamente da linha divisória de 50 pontos, totalizando os 38,2 pontos.

Perspectivas
A CNI afirma que a maioria dos índices de expectativas teve melhora no começo de maio, o que era esperado devido à intensa queda dos meses anteriores. Contudo, as expectativas permanecem negativas. O índice de expectativa de demanda aumentou 3,2 pontos, indo para 35,1 pontos e os indicadores abaixo de 50 pontos demonstram o pessimismo do empresariado. Desse modo, a expectativa permanece sendo de queda na demanda.

Já o indicador de expectativa de número de empregados cresceu 2,9 pontos na comparação com abril, para 38,1 pontos; o de compras de matérias-primas aumentou 1,4 ponto, para 34,7 pontos. No entanto, ambos permanecem inferiores a marca de 50 pontos, fazendo com que a expectativa siga negativa.

Por sua vez, o índice de intenção de investimentos passou de 36,7 pontos para 36,9 pontos, permanecendo abaixo de 50 pontos (ou seja, uma perspectiva negativa) em razão da alta incerteza e do consequente pessimismo dos empresários.