Foto: Sandro Pereira/Fotoarena

O aumento dos casos de covid-19 no Brasil, o maior país da América do Sul, que faz fronteira com quase todos os países do continente menos Chile e Equador, é visto como um risco para a região. O país é o sexto do mundo com mais mortes causadas pela doença. Até esta segunda-feira (11) foram confirmadas 11.123 vítimas brasileiras. A falta de estratégia unificada e concisa para combater o vírus e impedir a propagação descontrolada da doença são fatores que podem provocar o isolamento do Brasil em meio aos outros países sul-americanos.

O presidente da Argentina, Alberto Fernández, afirmou que o Brasil representa um risco muito grande para o continente, já que muitos caminhões brasileiros entram no país argentino levando carga de São Paulo, um dos lugares mais infectados no Brasil e que, segundo ele, parece que o governo não está encarando com a seriedade que o caso requer.

Já o ministro da Saúde argentino, Ginés González, disse que estabelecia contato constante com o ex-ministro da Saúde brasileiro, Luiz Henrique Mandetta. Segundo González, desde que Nelson Teich assumiu a pasta, o telefone do ministério parou de tocar. Uma fonte da cúpula do Ministério das Relações Exteriores da Argentina relatou que o Brasil não participa de nenhuma das teleconferências entre países da América do Sul para discutir o coronavírus porque não concorda com a iniciativa. A Argentina tem 6 mil casos confirmados e 305 mortes pela covid-19, resultado das rígidas regras de isolamento iniciadas no dia 15 de março.

O presidente do Uruguai, Lacalle Pou, reforçou os controles sanitários na fronteira com o Rio Grande do Sul. O Uruguai tem apenas 707 casos confirmados da doença e 19 óbitos. O presidente do Paraguai – que tem 713 casos confirmados e 10 óbitos pela doença -, Mario Abdo Benítez, afirmou que nem sequer passa pela sua cabeça abrir a fronteira. Ele avalia que o Brasil é o lugar onde o coronavírus tem maior expansão no mundo, o que representa uma grande ameaça. Já o chefe do Congresso do Paraguai, Blas Llano, destacou que o Brasil foi um dos países mais relutantes em implementar medidas de contingência, e isso se nota na quantidade de infectados e, lamentavelmente, de mortes.