Foto: Divulgação/Estradas

A crise global provocada pelo novo coronavírus levará o governo a mudar a configuração das concessões no setor de infraestrutura, declarou a secretária especial do Programa de Parcerias de Investimentos (PPI), Martha Seillier. Estarão em avaliação um cronograma de leilões, as premissas de demanda e o volume de investimento.

O caminho para superar as dificuldades no financiamento passa pela atração de investidores financeiros nas concessões. Os operadores dos ativos concedidos enfrentam dificuldades para manter a folha de pagamento de seus empregados e honrar suas dívidas.

Para a secretária, a crise leva à “revisão de regras dos editais e de contrato”. Quando um operador é afetado em seu fluxo de caixa e na sua capacidade de investimento, “mais importante será buscar o investidor financeiro, o capital que está em busca de retornos e bons projetos”, diz.

A disputa por capital promete ser acirrada após a pandemia e o ambiente de negócios precisará ser mais propício para mostrar a viabilidade dos projetos. A manutenção do teto de gastos é um importante sinal para o mercado nessa direção, explicou a secretária.

Para Martha Seillier, o programa de concessões ganhará mais importância ainda na retomada. Uma apresentação disponível no site do PPI destaca o que foi feito no ano passado e o que o governo pretende executar este ano, apesar da pandemia.

Em 2019 foram realizados 35 leilões na infraestrutura que renderam ao governo, em bônus de outorga, R$ 90,7 bilhões. A previsão é de investimentos da ordem de R$ 446,2 bilhões. Os leilões ocorrerem nas áreas de aeroportos (12); óleo e gás (4); portos (3); energia (3); ferrovia e rodovia (2); e mineração (1).

Estima-se que, só no Ministério da Infraestrutura, os investimentos a serem contratados com os leilões programados até 2022 sejam da ordem de R$ 250 bilhões.