Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

A balança comercial teve superávit de US$ 6,702 bilhões em abril, segundo dados do Ministério da Economia divulgados nesta segunda-feira (4), em meio à pandemia do novo coronavírus que tem reduzido o fluxo de comércio entre os países. Ao comparar com abril de 2019, percebe-se uma melhora de 18,5% no saldo comercial positivo, o que caracteriza também o melhor resultado para meses de abril em três anos.

De acordo com o ministro da Economia, Paulo Guedes, o choque externo, no nível de atividade, não está acontecendo como o previsto anteriormente porque a Ásia está absorvendo as reduções de exportações para Estados Unidos, Europa e Argentina.

Em abril deste ano, as exportações totalizaram US$ 18,312 bilhões, o que denota uma baixa, pela média diária, de 0,3% ante o mesmo mês de 2019. Ainda segundo os dados do Ministério da Economia, a pequena queda do valor exportado foi proporcionada pelo recuo de 5,5% nos preços dos bens em relação ao mesmo mês do ano anterior. Já o volume exportado, medido pelo índice de quantum, apresentou aumento de 2,9% no mês.

Nota-se também um recorde histórico na exportação de soja (16,3 milhões de toneladas), farelo de soja (1,7 milhão de toneladas), óleos combustíveis (1,3 milhão de toneladas), alumina (770 mil toneladas), minério de cobre (121 mil toneladas), carne bovina fresca, refrigerada ou congelada (116 mil toneladas), algodão bruto (91 mil toneladas) e carne suína (63 mil toneladas). O bom desempenho desses produtos demonstra a competitividade das exportações, impulsionada por uma taxa de câmbio real mais desvalorizada. Ressalte-se que a demanda mundial por esses bens indica expressiva resiliência, principalmente no que diz respeito à demanda asiática.

Quanto às importações, o montante chegou a US$ 11,611 bilhões no mês de abril, com um decréscimo de 10,5% pela média diária. Destaque para a baixa nas importações de combustíveis (-28,3%), bens de consumo (-22,4%), bens de capital (-21,9%) e bens intermediários (-2,3%).

Já no acumulado dos quatro primeiros meses de 2020, a balança comercial alcançou um superávit de US$ 12,264 bilhões, o que representa uma queda de 16,44% ante o saldo positivo de US$ 14,678 bilhões registrado no mesmo período de 2019. Percebe-se que esse também foi o pior resultado, para os quatro primeiros meses de um ano, desde 2015, quando houve um déficit de US$ 5,095 bilhões. Consequentemente, verificou-se o pior primeiro quadrimestre em cinco anos.

Ainda no acumulado de 2020, as exportações totalizaram US$ 67,8 bilhões, ou seja, uma baixa de 3,7% em relação ao mesmo período de 2019. As importações chegaram a US$ 55,6 bilhões, também com uma redução de 0,4% ante o mesmo período do ano passado.

Perspectivas para 2020
O mercado financeiro espera para este ano uma nova queda do saldo comercial. Pesquisa realizada pelo Banco Central na última semana aponta que a previsão para 2020 é de um saldo positivo de US$ 42 bilhões nas transações comerciais do país com o exterior.

Já o Banco Central acredita em um superávit da balança comercial de US$ 33,5 bilhões neste ano, com exportações em US$ 191 bilhões e importações de US$ 157,5 bilhões.

Ressalte-se que em 2019 a balança comercial teve superávit de US$ 46,6 bilhões, com saldo positivo, devido sobretudo à exportação de produtos básicos, inferior 19,6% ao de 2018.