Foto: Isac Nóbrega/PR

Menos de uma semana após o lançamento do Plano Pró-Brasil, evento ao qual nenhum representante do Ministério da Economia compareceu, o presidente Jair Bolsonaro resolveu, na segunda-feira passada (27), prestigiar pessoalmente o ministro Paulo Guedes, afastando rumores de que o auxiliar estaria fragilizado e poderia ser o próximo a deixar a equipe.

Em uma entrevista em frente ao Palácio da Alvorada, após a fala de Bolsonaro, o ministro reafirmou o compromisso da política econômica com as “reformas estruturantes e os investimentos privados”, além do teto de gastos.Anunciado há duas semanas pelo chefe da Casa Civil (22), general Walter Braga Netto, o Pró-Brasil chegou a ser chamado de Plano Marshall, programa financiado pelos Estados Unidos para a reconstrução da Europa após a II Guerra.

No caso brasileiro, o objetivo é a retomada do investimento público para a geração de empregos, depois de vencida a pandemia do novo coronavírus, com investimentos de R$ 250 bilhões a R$ 300 bilhões, em concessões e parcerias público-privadas, e de R$ 50 bilhões em recursos públicos, com estimativa de geração de até um milhão de empregos.

A proposta encontrou resistência na equipe econômica, onde foi chamada de PAC, sigla do Programa de Aceleração do Crescimento, lançado no primeiro mandato do ex-presidente Lula e continuado na gestão Dilma Rousseff. O PAC deixou várias obras inacabadas no país.

Após reunião pela manhã no Alvorada – da qual participaram a ministra da Agricultura, Tereza Cristina, o ministro da Infraestrutura, Tarcísio Gomes de Freitas, e o ministro da Controladoria-Geral da União, Wagner Rosário,além do presidente do Banco Central, Roberto Campos Netto –,Bolsonaro afirmou, na guarita de entrada do palácio: “O homem que decide economia no Brasil é um só, chama-se Paulo Guedes. Ele nos dá o norte, nos dá recomendações e o que nós realmente devemos seguir.”

No fim do dia, ao retornar à residência oficial, Bolsonaro retomou o assunto e reforçou que a palavra decisiva sobre economia será a do ministro. O presidente negou que exista no governo uma“ala dos militares”, conforme comentado na imprensa. “Eu sou militar e desconheço entre os militares que estão comigo um profundo conhecedor de economia, assim como o Paulo Guedes não conhece a vida militar.”

O ministro, que havia manifestado preocupação comum possível exagero de gastos orçamentários envolvidos na empreitada, fez questão de minimizar o plano, chamando-o de “estudos”. Guedes não quer abrir mão do controle fiscal num momento em que União já direcionou mais de R$ 800 bilhões para a economia.

Na entrevista ao lado de Bolsonaro, o ministro disse: “Queremos reafirmar a todos que acreditam na política econômica que ela segue, é a mesma. Vamos prosseguir com as nossas reformas estruturantes. Vamos trazer bilhões em investimentos em saneamento, em infraestrutura, em reforço para a safra (agrícola).”