Foto: Rodrigo Paiva/Getty Images

Toda vez que o presidente Jair Bolsonaro busca minimizar a pandemia do coronavírus, o que ocorreu na semana passada quando declarou “E daí? Quer que eu faça o que? Sou Messias mas não faço milagre”, ao ser questionado sobre o número de mortos por Covid-19 no país superar as vítimas fatais na China, o governador João Doria (PSDB) sobe o tom das críticas, reafirmando seu posicionamento de “anti-Bolsonaro” no tabuleiro.

Na última quarta-feira (29), Doria pediu para que saísse de sua bolha e o convidou a ir ver pessoas agonizando nos hospitais.

“Convido o senhor, venha a São Paulo. Saia de Brasília e venha visitar o Hospital das Clínicas, os hospitais de campanha. Venha ver as pessoas agonizando nos leitos e a preocupação dos profissionais de saúde de São Paulo. E se não quiser visitar São Paulo, por medo ou qualquer outra razão, vá ver o colapso da saúde em Manaus”, afirmou.

João Doria pediu para que o presidente “respeite médicos, enfermeiros e profissionais de saúde, que estão protegendo pessoas. E agora, presidente? Diante de mais de 5 mil mortos, o senhor continua afirmando que é uma gripezinha?”

O posicionamento “anti-Bolsonaro” de Doria também vem acompanhado da narrativa que o governador “segue a ciência, a medicina e saúde”.

Como forma de dar credibilidade a essa narrativa, Doria costuma transferir as perguntas mais técnicas que recebe dos jornalistas nas tradicionais entrevistas coletivas ao médico-infectologista Davi Uip, coordenador do centro de contingência do coronavírus em SP e considerado uma referência no meio médico.

Os ataques que Jair Bolsonaro desfere a João Doria ajudam a reforçam o posicionamento pretendido pelo governador.

Além de se posicionar como “anti-Bolsonaro”, a polarização com o presidente também ajuda João Doria a reforçar suas ações de combate ao coronavírus como forma de minimizar o impacto negativo da elevação do número de mortos pela Covid-19 no Estado.

Também como forma de fortalecer seu compromisso com o isolamento social e a “defesa da vida”, Doria disse que caso a adesão as medidas restritivas continuem abaixo dos 50%, a mudança na orientação do isolamento social, prevista para acabar dia 10 de maio, será revista.

Ainda é cedo para saber se o posicionamento “anti-Bolsonaro” de João Doria será bem recebido pela opinião pública. Entretanto, Doria tem sido eficiente em deixar para trás a imagem de “anti-esquerda” que vigorou até as eleições de 2018, tirar momentaneamente o espaço de principal opositor do presidente do PT e demais forças de esquerda, e se definir como o que chama de centro-democrático.