Foto: Alan Santos/PR

Um dia após o anúncio do Plano Pró-Brasil, aumentaram os rumores de que haveria dois blocos na Esplanada dos Ministérios: um formado por desenvolvimentistas; outro, por liberais. Por isso o governo buscou logo passar uma mensagem de união, a fim de afastar a ideia de que a equipe econômica estaria insatisfeita com o programa.

Coube ao ministro da Infraestrutura, Tarcísio Gomes de Freitas, um dos idealizadores do plano, assumir a dianteira. Ao lado do secretário de Política Econômica do Ministério da Economia, Adolfo Sachsida,o ministro deu uma entrevista ao jornal Valor, na quinta-feira, buscando mostrar que sua pasta está alinhada à da Economia.

Tratava-se de uma resposta ao ministro da Economia, Paulo Guedes, que chamou o Pró-Brasil de “novo PAC”, em referência ao Programa de Aceleração do Crescimento das gestões petistas, que consumiu bilhões do caixa da União.

Na entrevista, Sachsida afirmou que “o alinhamento é completo” e garantiu que sua fala estava em consonância com as ideias de Guedes. “Esse programa não começou hoje. É uma agenda pró-mercado, a mesma que elegeu o presidente Jair Bolsonaro, cuja coluna vertebral é a segurança jurídica”, completou.

Gomes de Freitas disse que os projetos que receberão aportes foram selecionados obedecendo à lógica do “efeito multiplicador” e, na medida do possível, “conversando sobre concessões” com o setor privado. Citou dois casos: lotes de duplicação da BR-381, em Minas, e trechos da Ferrovia de Integração Oeste-Leste (Fiol), na Bahia. Como ambos serão privatizados no futuro, o avanço das obras os tornará mais atrativos.

O ministro acrescentou que a suplementação orçamentária de R$ 2 bilhões por ano, prevista no Pró-Brasil, contemplará 52 obras em rodovias (como a BR-158/MT e a BR-262/MG-ES), dez obras aquaviárias (dragagens em portos e recuperação de hidrovias), cinco intervenções a mais em aeroportos regionais e outras três em novas ferrovias. E reafirmou que “a grande prioridade continua sendo o investimento privado”.

Em maio, o Tribunal de Contas da União (TCU) receberá os estudos para a realização de nova licitação da Via Dutra (Riode Janeiro–São Paulo) e para o leilão da Ferrogrão, ferrovia de 930 quilômetros que liga Sinop (MT)ao porto fluvial de Miritituba (PA).