Foto: Sergio Lima/Poder 360

Em diversas cidades brasileiras houveram atos neste domingo (19), em apoio ao presidente Jair Bolsonaro, que participou da manifestação em Brasília em frente ao Quartel-General do Exército. Bolsonaro proferiu um discurso enquanto os apoiadores gritavam “fora, Maia” (presidente da Câmara, Rodrigo Maia) e pediam o fim do isolamento social para conter a pandemia de Covid-19, causada pelo coronavírus.

Os manifestantes carregavam faixas em que pediam por intervenção militar, o fechamento do Congresso Nacional e pelo retorno do Ato Institucional número 5 (AI-5), responsável por decretar a fase mais sombria da Ditadura Militar no Brasil. Diversos políticos se manifestaram contra a manifestação, que foi vista como antidemocrática e uma “escalada” ao autoritarismo.

O ministro Luis Roberto Barroso, do Supremo Tribunal Federal (STF), foi o primeiro a se manifestar e afirmou que é “assustador” presenciar manifestações pela volta do regime militar, 30 anos após a democratização do país. “Pior do que o grito dos maus é o silêncio dos bons”, afirmou.

Segundo generais ouvidos pelo Estadão, a manifestação “não poderia ter ocorrido em lugar pior”. “Mas em frente ao QG, no dia do Exército, tem uma simbologia dupla muito forte. Não foi bom porque as Forças Armadas estão cuidando apenas das suas missões constitucionais, sem interferir em questões políticas”, diz um general.

O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), afirmou que “o mundo está unido contra o coronavírus. No Brasil, temos de lutar contra o corona e o vírus do autoritarismo. É mais trabalhoso, mas venceremos. Em nome da Câmara dos Deputados, repudio todo e qualquer ato que defenda a ditadura, atentando contra a Constituição”.

O governador de São Paulo, João Doria (PSDB), afirmou que é “lamentável que o presidente da República apoie um ato antidemocrático, que afronta a democracia e exalta o AI-5. Repudio também os ataques ao Congresso Nacional e ao Supremo Tribunal Federal. O Brasil precisa vencer a pandemia e deve preservar sua democracia.”

O senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP), líder da oposição, afirmou que irá levar o caso à Procuradoria-Geral da República. “O senhor presidente da República atravessou o rubicão da tolerância democrática e ofendeu a Constituição em vários aspectos. Ele atentou contra as instituições do Estado democrático de direito e ofendeu inclusive o código penal”, defendeu.

Um grupo de 20 (dos 27) governadores assinou uma “Carta Aberta à Sociedade Brasileira em Defesa da Democracia”, em que mostram apoio aos presidentes da Câmara, Rodrigo Maia e do Senado, Davi Alcolumbre. “O Fórum Nacional de Governadores manifesta apoio ao Presidente do Senado Federal, Davi Alcolumbre, e ao Presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, diante das declarações do Presidente da República, Jair Bolsonaro, sobre a postura dos dois líderes do parlamento brasileiro, afrontando princípios democráticos que fundamentam nossa nação”, consta na carta.