Foto: Divulgação/MME

No último dia 4, o ministro de Minas e Energia, Bento Albuquerque,participou de reunião pela internet com associações que representam as distribuidoras de energia. Na agenda, a busca de contribuições para medidas que o ministério pretende adotar frente à situação enfrentada pelo setor elétrico com a pandemia do novo coronavírus.

Há previsão de queda de 20% no consumo este mês, em comparação com março de 2019, e de aumento de 35% na inadimplência relativa ao pagamento das contas de luz. O corte no fornecimento de energia – mecanismo defendido pelas empresas para forçar clientes com pagamentos atrasados a acertar sua situação –ficou proibido por 90 dias pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel).

Assim, há um rombo estimado em até R$ 20 bilhões no fluxo de caixa das empresas. Na reunião surgiu a proposta de um “acordo geral” no setor, como feito em 2001. Para o presidente-executivo da Associação Brasileira de Grandes Consumidores Industriais de Energia e Consumidores Livres (Abrace), Paulo Pedrosa, que já foi secretário-executivo do Ministério de Minas e Energia, medidas pontuais não bastarão e vai ser preciso um acordo no setor envolvendo todos os agentes. “A solução virá de várias partes. Se cada um colaborar um pouquinho, todos perderão menos”, disse.

As distribuidoras têm funcionado como porta de entrada de recursos externos para o setor elétrico. Mas,de acordo com o ministério,podem registrar taxa de inadimplência significativa junto às geradoras já a partir deste mês por conta da crise.

Entre as sugestões, consta a que propõe ao Tesouro Nacional assumir encargos como a tarifa social para famílias de baixa renda. Já o BNDES poderia entrar com recursos no capital das empresas, com compromisso de revenda e cronograma predefinidos e ganhos a partir da potencial valorização das ações após a crise.