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A direção da Eletrobras já considera um fato a transferência para 2021 do processo de capitalização da empresa que resultará em sua privatização. A operação, que estava nos planos da companhia para este ano, deve ser adiada devido aos efeitos da pandemia do novo coronavírus. Esse era um dos projetos considerados prioritários pelo ministro da Economia, Paulo Guedes.

“A privatização deve ocorrer só em 2021”, disse o presidente da Eletrobras, Wilson Ferreira Júnior, quando anunciou, na semana passada, o resultado do balanço da empresa em 2019, quando se registrou um lucro de R$ 10,7 bilhões. Diante do novo cenário, o Projeto de Lei nº 5.877/19, que trata do plano de capitalização e privatização da Eletrobras, que estava previsto para ser apreciado pelo Congresso no primeiro semestre, continuará na gaveta.

O projeto foi apresentado no dia 5 de novembro de 2019. Ainda aguarda a formação de uma Comissão Especial para analisá-lo, antes de ser submetido à votação do plenário e seguir,posteriormente, para a apreciação dos senadores. É no Senado que a proposta enfrenta as maiores resistências, principalmente por parte de bancadas do Nordeste e do Norte.

A hipótese levantada na Câmara de que o PL nº 5.877/19 pode ser discutido e votado no segundo semestre não se sustenta, devido à falta de articulação do governo e à mobilização de deputados e senadores em torno das eleições municipais de outubro (não há decisão ainda sobre possível adiamento do pleito).

“Acredito que o governo deve enfrentar primeiro essas prioridades que ele está colocando agora. Tem muita coisa para ser tratada no que diz respeito às emergências”, disse o presidente da estatal. “A gente trabalhava com a perspectiva de ter o PL aprovado no primeiro semestre. Muito provavelmente ele vai se deslocar para o segundo semestre”, disse, ainda com esperança.