Foto: EPA

Os impactos da pandemia do coronavírus na economia são evidentes. Entretanto, ainda é muito cedo para prever suas reais consequências.

A cada dia parece que o fundo do poço fica mais fundo. O Instituto de Finanças Internacionais (IIF, na sigla em inglês) voltou a cortar sua previsão para o crescimento do PIB global em 2020, de expansão de 0,4% para contração de 1,5%. Em artigo publicado no Wall Street Journal em 19 de março, sob o título Rethinking the Coronavirus Shutdown, fala em tsunami de destruição econômica causada pelo conjunto de medidas adotadas por diversos governos, como isolamento social, fechamento do comércio e de fronteiras, além de normativas implementadas para combater o avanço da doença. Há discussões entre economistas e empresários sobre o que é pior: morrer por conta do vírus ou por conta do desemprego.

Recentemente, o Ministério da Economia reduziu a previsão de crescimento da economia brasileira para esse ano de 2,1% para 0,02%. No mercado, avalia-se que tal índice ainda está superestimado. Obviamente, dependerá de quanto tempo irão perdurar as medidas altamente restritivas. Muitas empresas não têm fôlego para suportar mais de 30 dias fechadas. O setor de serviços, responsável por cerca de 70% do nosso PIB, deve ser o mais prejudicado. As demissões já estão acontecendo. Hoje são aproximadamente 12 milhões de pessoas sem emprego. Previsões apontam que o contingente de desempregados no País poderá ficar em torno de 20 milhões.

As consequências sociais serão severas. Para evitar uma forte tensão social, os governos federal, estaduais e municipais terão de agir de forma coordenada e eficiente. Infelizmente, há questões políticas e pessoais sendo colocadas em primeiro plano no Brasil. Trilhões de dólares estão sendo utilizados mundo afora para mitigar
os efeitos da pandemia na economia. Sistemáticas quedas da Bolsa de Valores de São Paulo e alta do dólar indicam que o pessimismo ainda é majoritário.

Nos EUA, recomendações da ala militar podem ser adotadas:

1 – Incentivar todas as pessoas saudáveis, com idade entre 20 e 55 anos, a voltar ao trabalho imediatamente;
2 – Proteger os cidadãos mais vulneráveis: maiores de 60 anos e pessoas com enfermidades crônicas significativas, como diabetes e doenças cardíacas;
3 – Reabrir todas as escolas imediatamente.

Assim, as lideranças políticas no Brasil terão de adotar medidas que combatam o vírus e resgatem o fôlego econômico.

O vírus devasta vidas e a economia global. Se no Brasil deixarmos questões pessoais de lado, pode haver esperança

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Vice Presidente e sócio da Arko Advice desde 1999, Cristiano Noronha é Administrador de Empresas e Mestre em Ciência Política pela Universidade de Brasília. Foi professor de Ciência Política e Administração (UPIS e UNB). Cristiano regularmente profere palestras para investidores estrangeiros nos Estados Unidos e Europa. É editor-chefe do “Cenários Políticos”, “Política Brasileira”, newsletter semanal de análise política da Arko Advice, assinado por centenas de bancos, fundos de investimento e empresas nacionais e multinacionais.