Foto: Valter Campanato/Agência Brasil

Segue com o deputado federal Osmar Terra (MDB-RS), médico e ex-ministro da Cidadania do governo Jair Bolsonaro, dada exclusivamente para a Arko Advice.

Na sua opinião, a pandemia de covid-19 é mais ou menos letal do que as anteriores como SARS e H1N1, tomando-se por base os dados já disponíveis? É menos letal. Previsão é que teremos menos óbitos no Brasil para o Coronavírus em relação ao H1N1. (cerca de 2100 óbitos em 56.000 casos diagnosticados em 2009). O Corona deve chegar à metade desses óbitos em 30.000 a 40.000 casos. Esse número pode mudar pelo uso maior de kits diagnósticos.

Tomando por base os dados obtidos até o momento a respeito da propagação da covid-19 no Mundo e o que se conhece sobre a curva de contaminação, quando o senhor avalia que deverá ocorrer o pico da epidemia no Brasil? Comparando a curva dos casos em Wuhan, do H1N1 no Rio Grande do Sul (2009) e dados de Big Data de epidemias virais, devemos chegar no pico dos casos na terceira ou quarta semana de abril. O Hospital Albert Einstein prevê o pico para a segunda semana de abril. O fim da curva epidêmica deve ser na primeira ou segunda semana de junho.

Considerando as medidas que os governos estão tomando para a contenção da disseminação do vírus, qual é o risco mais importante em relação à estabilidade econômica brasileira e em nível global? Há uma visão distorcida por alguns governos, que exageram em medidas de contenção. Há uma espécie de competição, inclusive nos municípios, disputando quem toma medidas mais drásticas para conter a epidemia, embalados pelo pânico que a população manifesta com o noticiário também assustador e distante de uma visão equilibrada. A consequência disso são medidas muito restritivas à movimentação das pessoas, o que levará a uma quebradeira geral do comércio e da indústria, provocando uma profunda recessão e desemprego em massa. E o mais grave, sem alterar em nada os números da epidemia.

Nós temos observado alguns sinais de pânico em algumas cidades, particularmente quanto à estocagem de alimentos e remédios. Na sua opinião, a difusão de notícias pela Mídia tem ajudado ou prejudicado as medidas governamentais? Já vivi epidemia como gestor público e sei como é importante ter a confiança da população na autoridade pública que comanda o processo. Mas é muito fácil instilar o medo na população pela situação naturalmente estressante e pela falta de equilíbrio na informação. E aí muita gente pega carona nesse medo e dificulta a ação de orientação e mobilização.

Na sua leitura da situação política brasileira, o senhor percebe algum tipo de interesse político em ampliar o medo e a percepção de risco com relação ao covid-19? Acredito que algumas lideranças podem cair nessa tentação. É um momento onde é fácil jogar a população contra o governo em cima de factoides. Espero que isso não aconteça