Foto: Adriano Machado/Reuters

Segundo monitoramento realizado pelo departamento de Análise de Políticas Públicas da Fundação Getúlio Vargas (FGV), de 12,5 milhões de postagens no Twitter, local onde o presidente Jair Bolsonaro concentra grande parte de sua força, que antes dos protestos reunia 12% das interações, caiu para 6,5% de participação até quarta (18).

O dado da FGV é citado em uma matéria da BBC sobre médicas que participaram dos panelaços contra a ex-presidente Dilma Rousseff, votaram em Jair Bolsonaro e agora aderiram aos protestos contra o presidente. Uma das médicas afirma na matéria que foi se decepcionando com Bolsonaro desde a eleição. E a gota d’água como profissional da saúde foi o apoio do presidente aos protestos do dia 15.

A participação de Jair Bolsonaro nas manifestações do dia 15 pode ser considerado uma espécie de marco nessa virada da opinião pública nas redes. Mais do que o apoio ao protesto de grupos conservadores radicais que chegavam a defender o fechamento do Congresso e do Supremo Tribunal Federal (STF), teve grande peso o contato do presidente com seus apoiadores em meio as determinações do Ministério da Saúde e de especialistas na área para evitar aglomerações e contato com o público.

Também contribui para o desgaste na imagem de Jair Bolsonaro a minimização inicial quanto ao impacto negativo do coronavírus sobre a saúde pública e a economia.

Com a classe media confinada em suas residências, há sinais que a parcela do eleitorado dos grandes urbanos que já votou no PSDB e no PT, e esteve com Jair Bolsonaro em 2018, mas não é bolsonarista convicta, mais do que se descolar do presidente, virou agora contra Bolsonaro.

A intensidade dos panelaços em São Paulo e no Rio de Janeiro – epicentros do avanço da pandemia – em redutos tradicionais da classe media sugere que a crise do coronavírus e sua minimização inicial custou caro a imagem presidencial. É por isso que Jair Bolsonaro, desde a coletiva de ontem (18), mesmo que tardiamente, mudou sua narrativa para tentar reverter o estrago.