Foto: EFE/ Franck Robichon

As companhias brasileiras que trabalham com comércio exterior esperam um possível aumento de casos de coronavírus no país. Os contatos entre empresários nacionais e estrangeiros, em especial da China e demais países asiáticos, passarão a ser feitos com mais frequência por intermédio de telefone, e-mail ou videoconferência, em detrimento do contato pessoal.

Segundo a Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), a China passará por uma grande reacomodação e isso impactará as nações asiáticas. As empresas chinesas estão tentando exportar, mas ficam reféns do coronavírus.

A tendência é que o mercado internacional pressione para baixo os preços das commodities (agrícolas e minerais), por conta de uma oferta maior de produtos, e os manufaturados vão ser afetados em razão da quantidade.

Alguns estados já começam a sofrer as consequências da epidemia. A China é o principal parceiro comercial de Minas Gerais, respondendo por 18,6% das importações em 2019, totalizando US$ 1,67 bilhão. Entre os itens mais comprados estão máquinas e equipamentos industriais, peças e veículos automotores e de transportes, eletroeletrônicos e componentes eletrônicos, insumos industriais elaborados e bens duráveis.

Além de ser um relevante comprador, a China é um grande fornecedor de insumos da indústria brasileira, especialmente a de eletroeletrônicos, que já sente os efeitos do surto da doença. O cenário de falta de componentes eletrônicos para abastecer os estoques da indústria brasileira se agravou nas últimas semanas, conforme levantamento da Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee).

Outro setor que já sofre as consequências do avanço da doença pelo mundo é o do turismo. Agências de viagens reconhecem que a disseminação da doença para países europeus, como o caso da Itália, preocupa os brasileiros que já cogitam a possibilidade de cancelar passagens adquiridas para a Europa.

O grande impacto do coronavírus no Brasil está relacionado à China e ao vírus naquele país. As empresas brasileiras estão trabalhando normalmente, no entanto, elas são impactadas porque necessitam comprar da China, que não pode entregar, interrompendo os fluxos comerciais e atrasando a dinâmica ou obrigando as empresas brasileiras a encontrarem outros vendedores.

Compartilhe