Foto: Edilson Rodrigues/Agência Senado

Ao comentar recentemente as eleições de 2022, o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), defendeu a união do centro em torno de um único nome para a próxima sucessão presidencial.

Questionado sobre a melhor opção para representar o centro, Maia declarou que “o melhor nome é a unificação do centro. Se ninguém tiver capacidade de unificá-lo, significa que estará fora do segundo turno”. Como opções nesse campo, Maia citou o apresentador da TV Globo Luciano Huck (Sem partido), o governador João Doria (PSDB-SP) e o ex-governador Ciro Gomes (PDT-CE).

A citação a Ciro é uma novidade, já que o PDT tem se alinhado mais à esquerda nos últimos anos. O gesto de Maia, contudo, mostra o desejo do DEM de dialogar com a sigla. Aliás, nas eleições municipais de outubro, poderão ocorrer alianças entre as duas legendas em alguns colégios eleitorais do Nordeste.

Maia avaliou corretamente ao dizer que, caso essa unidade ao centro não ocorra, a tendência é que as eleições de 2022 tenham como protagonistas o presidente Jair Bolsonaro e o candidato a ser apoiado pelo ex-presidente Lula (PT).

A unidade do centro nas eleições de 2022 não será tarefa fácil, pois há uma pulverização de nomes e de partidos nesse campo. O centro terá ainda o desafio de tentar construir uma narrativa à polarização bolsonarismo x lulismo.

Outro problema é definir quem será o líder nesse campo. O PSDB ainda carece de uma agenda desde que perdeu o protagonismo na política brasileira para o bolsonarismo. O MDB, outro grande partido ao centro, é historicamente uma legenda dividida em função dos interesses antagônicos de seus líderes regionais. O DEM pode ganhar força, se a expectativa de crescimento nas eleições municipais de outubro for confirmada.

Também vale mencionar que caso o presidente Jair Bolsonaro chegue fortalecido a 2022, a unidade do centro será ainda mais difícil, pois lideranças regionais dos partidos de centro poderão apoiá-lo individualmente, enfraquecendo o campo centrista.

Quanto aos possíveis presidenciáveis, podem surgir ainda mais opções ao centro. Embora Doria seja visto como o candidato natural do PSDB, há no ninho tucano líderes que defendem o lançamento do governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, que já anunciou que não se candidatará à reeleição em seu estado.

Além de Leite, não podemos descartar totalmente a possibilidade de o ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro (Sem partido), deixar o governo para concorrer à vaga de presidente do país. Tal hipótese representa grande ameaça para Bolsonaro. Além de a base social de apoio a Moro ser a mesma do presidente, a saída do ministro do governo provocaria um rompimento definitivo dos lavajatistas com Bolsonaro.

Nesse complexo cenário, hoje a polarização bolsonarismo x lulismo tende a se impor ao centro. Porém, o jogo de 2022 ainda está distante. Até lá, a capacidade de união do centro e as alternativas de centro-esquerda, como Ciro Gomes ou o governador do Maranhão, Flávio Dino (PCdoB), serão testadas.

Guardadas as proporções, pode haver a reprodução do cenário de 2018, quando a divisão do centro e da centro-esquerda estabeleceu, ainda no primeiro turno, a disputa Bolsonaro (PSL) x Fernando Haddad (PT). Aliás, não por acaso tanto Bolsonaro quanto Lula continuam insistindo no embate direto como forma de manter a polarização e neutralizar o surgimento de alternativas.

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