Foto: Tânia Rego/Agência Brasil

Após 11 dias do seu início, a greve liderada pela Federação Única dos Petroleiros (FUP) chega a um impasse nas negociações, o que faz aumentar a incerteza quanto à solução mais adequada a ser adotada pela Petrobras.  Apesar disso, o risco de interrupção da produção e distribuição de combustíveis, segundo a Petrobras, é baixo.

De acordo a FUP, a paralisação alcança 43 plataformas, 11 refinarias, 18 terminais, 7 campos terrestres, 5 termelétricas e 3 UTG (processamento de gás) distribuídos por 11 estados da Federação. No entanto, a força de trabalho tem sido mantida em 90%, por determinação judicial. Não há registro de atos violentos nem interrupção da produção e distribuição de combustíveis, até o momento.

Os sindicalistas argumentam que a companhia se recusa a negociar com a liderança do movimento os termos de um acordo firmado anteriormente que, em tese, interromperia o processo de venda da Fábrica de Fertilizantes Nitrogenados do Paraná (Fafen-Paraná).

Segundo os líderes da FUP, os trabalhadores das equipes de contingência estão esgotados fisicamente, já que não há substituição de turnos de trabalho desde o início da greve.  A liderança do movimento tem dito que a companhia petrolífera é intransigente e não se dispõe a negociar a rendição dos turnos.

A Petrobras, que defende a ideia de que a greve é ilegal e abusiva, conseguiu decisão favorável à volta dos trabalhadores, no Tribunal Superior do Trabalho. O TST decidiu, inclusive, bloquear contas bancárias da FUP. A medida, ao invés de convencer os sindicalistas a encerrar o movimento, aparentemente, teve efeito contrário, ampliando a retórica de resistência.

A Petrobras continua acompanhando os acontecimentos e tomando medidas para afastar qualquer hipótese de interrupção da atividade produtiva. A contratação de mão-de-obra terceirizada está em estudo.

O pleno do TST deve se reunir ainda essa semana para decidir a respeito das próximas medidas a serem tomadas para por fim ao impasse.

O movimento, que tem características de oposição à política de privatização do Governo Federal, pode influenciar outras categorias de trabalhadores que tem interesses semelhantes, tais como os Correios, Dataprev e Casa da Moeda.  Destaca-se que o movimento sindical tem agenda de mobilização bastante intensa a partir do dia 12 de fevereiro.

O momento político, caracterizado pelo início dos trabalhos legislativos, tem sido considerado fundamental pelo movimento sindical para dar mais visibilidade à sua agenda e desgastar o governo federal.  Há, no entanto, a preocupação dos sindicalistas de não causar prejuízos que impactem negativamente a categoria perante a opinião pública.