Foto: Arquivo/Agência Brasil

A proposta da Câmara unifica os tributos sobre o consumo. Acha viável contemplar também a unificação de impostos sobre a renda, conforme prevê a proposta do Senado?
Os impostos sobre o consumo estão gerando um consenso na praça política de que realmente é muito danoso à economia. Alguns deputados da esquerda, inclusive, têm assumido essa posição. Agora, misturar esse debate com o imposto sobre a renda não é produtivo. Não é um debate fácil de fazer. E acredito que, se o misturarmos com o debate sobre impostos sobre o consumo, que já obteve certo consenso, pode não sair nem um nem outro.

Estudo do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) apontou que o estado de São Paulo perderia R$ 21 bilhões com a unificação de tributos sobre consumo. Diante dessa possibilidade, qual a posição da bancada paulista?
Com a criação do IVA sobre o consumo, que seria o IBS, os estados mais produtores teriam uma perda num primeiro momento – caso de São Paulo –, mas ganhariam muito no futuro, porque haveria melhora da eficiência nas empresas e eliminação de custos da administração tributária. E, logicamente, com a economia crescendo, isso poderia ser compensado. Por isso a maioria dos deputados de São Paulo com os quais conversei apoia essa modificação, mesmo que haja uma perda inicial nos primeiros anos de implantação desse imposto.

E a criação de um imposto sobre movimentações financeiras para viabilizar uma maior desoneração da folha das empresas?
A criação de uma nova CPMF é um grande equívoco. É um imposto regressivo, que dá um poder enorme ao estado porque começa com alíquotas muito baixas, mas basta qualquer aumento de custo ou de salário que fica muito fácil aumentar essa alíquota. E com alíquota mais alta se distorce toda a cadeia produtiva. Então não vejo condições políticas de se aprovar um imposto desse tipo. Não vejo apoio na sociedade para isso.