Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

A declaração do presidente Jair Bolsonaro de reformulação da cobrança do ICMS causou desconforto entre governadores. A conversa é que o presidente adota uma postura populista ao tentar colocar a responsabilidade dos altos preços dos combustíveis nas gestões estaduais. Alguns políticos acreditam que há uma tentativa de enfraquecimento dos atuais governadores, já pensando nas próximas eleições.

No post, o presidente propõe a incidência de um valor fixo de ICMS por litro, e não mais sobre a média de preço cobrado nos postos. “Os governadores cobram, em média, 30% de ICMS sobre o valor médio cobrado nas bombas dos postos e atualizam apenas de 15 em 15 dias, prejudicando o consumidor”, escreveu Bolsonaro.

Em carta divulgada nesta terça (3), através do governo de São Paulo, os governadores afirmam que o ICMS é a principal receita dos estados para a manutenção de serviços essenciais à população, como segurança, saúde e educação. Eles reclamam que esse debate tem que ser feito de forma responsável e no ambiente adequado.

A expectativa é que outros governadores integrem a lista nas próximas horas.

Veja a íntegra da carta.

“Posicionamento de vinte e dois governadores em relação ao ICMS sobre combustíveis:

Os Governadores dos Estados têm enorme interesse em viabilizar a diminuição do preço dos combustíveis. No entanto, o debate acerca de medidas possíveis para o atingimento deste objetivo deve ser feito nos fóruns institucionais adequados e com os estudos técnicos apropriados.

Diante da forma como o tema foi lançado pelo Presidente da República, exclusivamente por intermédio de redes sociais, cumpre aos Governadores esclarecer que:

  1. O ICMS está previsto na Constituição Federal como a principal receita dos Estados para a manutenção de serviços essenciais à população, a exemplo de segurança, saúde e educação.
  2. O ICMS sobre combustíveis deriva da autonomia dos Estados na definição de alíquotas e responde por, em média, 20% do total da arrecadação deste imposto nas unidades da Federação. Lembramos que 25% do ICMS é repassado aos municípios.
  3. Segundo o pacto federativo constante da Constituição Federal, não cabe à esfera federal estabelecer tributação sobre consumo. Diante do impacto de cerca de 15% no preço final do combustível ao consumidor, consideramos que o governo federal pode e deve imediatamente abrir mão das receitas de PIS, COFINS e CIDE, advindas de operações com combustíveis.
  4. O governo federal controla os preços nas refinarias e obtém dividendos com sua participação indireta no mercado de petróleo – motivo pelo qual se faz necessário que o governo federal explique e reveja a política de preços praticada pela Petrobras.
  5. Os Estados defendem a realização de uma reforma tributária que beneficie a sociedade e respeite o pacto federativo. No âmbito da reforma tributária, o ICMS pode e deve ser debatido, a exemplo dos demais tributos.
  6. Nos últimos anos, a União vem ampliando sua participação frente aos Estados no total da arrecadação nacional de impostos e impondo novas despesas, comprimindo qualquer margem fiscal nos entes federativos.

Os Governadores dos Estados clamam por um debate responsável acerca do tema e reiteram a disponibilidade para, nos fóruns apropriados, debater e construir soluções.

Brasília, 3 de fevereiro de 2019″.

Veja abaixo a lista com todos os Estados que assinaram a carta:

  • São Paulo
  • Rio de Janeiro
  • Maranhão
  • Amapá
  • Piauí
  • Sergipe
  • Espírito Santo
  • Bahia
  • Rio Grande do Sul
  • Mato Grosso
  • Pará
  • Santa Catarina
  • Paraná
  • Alagoas
  • Mato Grosso do Sul
  • Rio Grande do Norte
  • Pernambuco
  • Roraima
  • Ceará
  • Amazonas
  • Minas Gerais
  • Pernambuco
  • Distrito Federal

 

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Pedro Leal é Jornalista e Cientista Político, formado pela Universidade de Brasília. Trabalha na Arko Advice há mais de dois anos, atualmente como analista político com foco em inteligência no legislativo e mapeamento de stakeholder. Tem experiência no atendimento de fundos de investimento internacionais, associações de classe e multinacionais. Foi um dos coordenadores do Projeto Politeia, projeto de simulação do processo legislativo da Câmara dos Deputados e UnB.