Foto: Ciaran McCrickard/Fórum Econômico Mundial

O ministro da Economia, Paulo Guedes, ressaltou na última semana que é perceptível um maior otimismo de investidores em relação ao Brasil e que houve uma celebração do sucesso brasileiro entre os participantes do Fórum Econômico Mundial, em Davos (Suíça). Segundo ele, percebe-se uma compreensão internacional de que o Brasil tem uma democracia que funciona: o Congresso está aprovando as reformas; o presidente da República e o Congresso são reformistas; as agendas de reformar vão progredir; e o Brasil está retomando o crescimento econômico. O presidente Jair Bolsonaro decidiu não comparecer ao fórum deste ano ao levar em consideração aspectos econômicos, políticos e de segurança; e optou por outro compromisso internacional, na Índia.

Em sua segunda participação no evento internacional que reúne líderes políticos, chefes de Estado e empresários, Guedes foi o principal nome da comitiva brasileira. Além de negociar acordos comerciais e tributários para o Brasil, anunciou a adesão do país ao Acordo de Compras Governamentais da Organização Mundial do Comércio (OMC) e que a equipe econômica estuda o imposto do pecado, que incidiria sobre produtos que fazem mal à saúde, como cigarros, bebidas alcoólicas e produtos muito açucarados, a exemplo de refrigerantes, sorvetes e chocolates.

O ministro tratou ainda sobre o envio da proposta de reforma tributária do governo e da questão ambiental, envolvendo-se em polêmica ao afirmar que a pobreza é a maior inimiga do meio ambiente. E fez questão de destacar aos participantes do fórum que o Brasil iniciou uma trajetória de ajuste fiscal no ano passado, com a aprovação da reforma da Previdência e a redução do déficit fiscal. Na avaliação de Guedes, este segundo ano de governo Bolsonaro será o de aprofundamento das reformas.

Entre os acordos comerciais negociados pelo ministro da Economia para o país, figura o que evita a bitributação entre o Brasil e o Reino Unido, que pretende fazer um acordo comercial com o Mercosul assim que terminar o processo de separação da União Europeia, o Brexit. Também há pretensões de o Brasil negociar, conforme Guedes, acordos comerciais com o Canadá, Japão, Coreia do Sul e com a Associação Europeia de Livre Comércio (EFTA), composta por Finlândia, Noruega, Suíça e Liechtenstein. Ele apontou que esses acordos devem ser negociados no âmbito do Mercosul.

Ainda de acordo com o ministro, o Brasil irá solicitar formalmente adesão ao Acordo de Compras Governamentais (GPA, na sigla em inglês), da Organização Mundial do Comércio (OMC). Desse modo, o país abrirá o seu mercado de licitações para participação de estrangeiros, obrigando os países signatários a adotarem mecanismos que garantam aos estrangeiros concorrer de igual para igual com as empresas nacionais nos pregões dos órgãos públicos.

Paulo Guedes ponderou que a desaceleração sincronizada dos países avançados e a estagnação da América Latina tornaram o Brasil a nova fronteira dos investimentos diretos internacionais. Contudo, ele sublinhou que o país precisa manter a agenda de reformas para permanecer nessa posição. E assegurou haver ouvido de investidores que ainda mais impressionante que a amplitude da agenda de reformas foi a capacidade de entrega exibida pela democracia brasileira.

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