Foto: Adriano Machado/Reuters

A pesquisa CNT/MDA divulgada na semana passada mostra que a popularidade do presidente da República, Jair Bolsonaro, está na média dos índices positivos registrados por governadores e prefeitos, além de estar bastante acima do prestígio do Congresso Nacional e do presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ).

POLÍTICOS/

INSTITUIÇÕES

ÓTIMO / BOM (%) REGULAR (%) RUIM / PÉSSIMO (%)
Jair Bolsonaro 34,5 32,1 31
Governadores 30,5 35,7 27
Prefeitos 34,4 28,3 33,4
Congresso 9,9 36,9 41,2
Rodrigo Maia 11,3 28,2 33,6

*Fonte: CNT/MDA (15 a 18/01)

A comparação das avaliações regular e ruim/péssima de Bolsonaro com as dos políticos e instituições analisados também guarda semelhança, embora a imagem do Congresso seja a mais mal avaliada.

A importante atuação de Rodrigo Maia e do Congresso para a aprovação da agenda de reformas econômicas ainda não se traduz numa imagem positiva para o Poder Legislativo. E, apesar da postura de independência do Congresso, pesa contra o Legislativo uma imagem negativa junto à opinião pública, além de o conteúdo da agenda de reformas ser impopular.

Quanto à popularidade de Bolsonaro, governadores e prefeitos, nota-se que a estatística se insere dentro do padrão de divisão da opinião pública em três terços: um terço de aprovação; um terço de rejeição; e um terço de “em cima de muro”.

As dificuldades financeiras dos governos nas mais diferentes esferas contribuem para que a popularidade do presidente, dos governadores e dos prefeitos não seja mais elevada. Não por acaso temas como saúde e educação são as áreas mais mal avaliadas e que devem ser priorizadas pelos administradores públicos.

No caso de Bolsonaro, contribui também a estratégia de apostar na lógica da polarização permanente. Assim, diferentemente de governos anteriores, o atual presidente não visa caminhar para o centro, e sim construir uma maioria mínima na polarização.

Outro dado interessante é que, comparando a popularidade de Bolsonaro após um ano de seu primeiro mandato ao registrado por FHC (PSDB) e Lula (PT) no mesmo período, constata-se que o índice é similar (ver tabela abaixo).

GOVERNO/ANO ÓTIMO/BOM (%) REGULAR (%) RUIM/PÉSSIMO (%)
FHC (1996) 32,0 43,0 23,0
LULA (2004) 39,9 40,6 15,1
DILMA (2011) 49,2 37,1 9,3
BOLSONARO (2020) 34,5 32,1 31,0

*Fonte: CNT/MDA

O índice positivo de Bolsonaro é inferior ao do primeiro ano do primeiro mandato de Dilma Rousseff (PT). Porém, naquela oportunidade, o cenário econômico herdado dos dois governos de Lula impactava positivamente a imagem da sua então sucessora.

Ao contrário de muitas leituras sobre a popularidade de Bolsonaro, sua avaliação positiva está hoje dentro da média da auferida entre governadores e prefeitos, bem como da maioria dos presidentes anteriores eleitos após 1995 em seu primeiro ano de mandato.

Compartilhe
Artigo anteriorGeração solar já chegou a 10% do consumo no Nordeste
Próximo artigoLibertação de Auschwitz completa 75 anos
Vice Presidente e sócio da Arko Advice desde 1999, Cristiano Noronha é Administrador de Empresas e Mestre em Ciência Política pela Universidade de Brasília. Foi professor de Ciência Política e Administração (UPIS e UNB). Cristiano regularmente profere palestras para investidores estrangeiros nos Estados Unidos e Europa. É editor-chefe do “Cenários Políticos”, “Política Brasileira”, newsletter semanal de análise política da Arko Advice, assinado por centenas de bancos, fundos de investimento e empresas nacionais e multinacionais.