Foto: Felipe Cotrim/VEJA

O debate interno no PT sobre o candidato que representará o partido na disputa de outubro pela Prefeitura de São Paulo (SP) mostra uma divisão interna. Isso ficou mais claro depois que o diretório nacional petista passou a trabalhar para que a definição do candidato na capital paulista ocorra por consenso, sem a realização de prévias.

A busca por um nome de consenso, liderada pelo ex-presidente Lula e pela presidente nacional do PT, a deputada federal Gleisi Hoffmann (PT-SP), gerou uma reação pública do vereador Eduardo Suplicy, um dos pré-candidatos do partido em SP.

Em uma postagem no seu Instagram dirigida a Gleisi, Suplicy afirmou que “nos 40 anos de vida no PT, a experiência me mostrou que o intenso debate de ideias no processo democrático das prévias, previsto em nosso regimento, além de saudável, contribuiu para o fortalecimento do partido e nos levou a inúmeras vitórias”.

Além de Eduardo Suplicy, aparecem como pré-candidatos petistas em São Paulo os deputados federais Carlos Zarattini, Paulo Teixeira e Alexandre Padilha, o ex-deputado Jilmar Tatto, o ex-vereador Nabil Bonduki, e a militante Andreza do Nascimento Almeida, conhecida como Zazá.

O PT vive uma pulverização de pré-candidatos na capital paulista diante da resistência do ex-prefeito Fernando Haddad, o nome preferido de Lula, em ser candidato. Derrotado pelo presidente Jair Bolsonaro na eleição presidencial de 2018, Haddad quer se preservar para a disputa de 2022 ao Palácio do Planalto.

O “plano B” a Haddad sonhado por Lula é o do ex-senadora Marta Suplicy (Sem partido), principalmente pelo capital político que ela possui nas periferias da capital paulista, onde está localizada a base lulista na cidade. Porém, Marta está com a imagem arranhada no PT desde que saiu do partido, em 2016, para se filiar ao MDB e votar a favor do impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff.

Assim, uma candidatura de Marta pelo PT é bastante improvável. O que poderá ocorrer é a ex-senadora ser candidata por outro partido. Comenta-se que o PDT e SD possam ser alternativas para Marta.

Com a decisão de Haddad em não ser candidato, o consenso no PT paulista é improvável neste momento. Hoje, o nome com maior trânsito entre as correntes internas é de Jilmar Tatto. Entretanto, ainda está em aberto quem será o representante do partido na eleição.

A divisão interna no PT fragmenta o campo de esquerda. No PCdoB, o ex-ministro Orlando Silva está postado como pré-candidato. Embora o mais provável seja a aliança do PCdoB com o PT, a entrada de Orlando na disputa não deve ser descartada.

Quem deve ser candidato é o ex-governador Márcio França (PSB), que na disputa de 2018 contra o governador João Doria (PSDB) foi o vencedor na capital paulista mais 58% dos votos válidos.

O PSOL também deve ter candidatura própria. O mais provável é uma composição entre o líder do MTST (Movimento dos Trabalhadores Sem Teto), Guilherme Boulos, e o deputada federal e ex-prefeita Luiza Erundina. Também está no páreo a deputada federal Sâmia Bonfim, que se lançou como pré-candidata.

A pulverização de candidaturas poderá dificultar a chegada da esquerda no provável segundo turno. Confirmando a ausência de Fernando Haddad na disputa, a possibilidade do PT não chegar ao segundo turno é alta, principalmente se o PSOL construir a chapa Boulos/ Erundina, dividindo a base lulista na periferia paulistana.

Quem pode se beneficiar com este hipotético cenário é Márcio França (PSB), que caso obtenha sucesso em atrair parte do centro, pode chegar ao segundo turno, principalmente se o prefeito Bruno Covas (PSDB) continuar com baixa intenção de voto.

Nesse complexo tabuleiro, Marta Suplicy pode desempenhar um papel no campo da esquerda/centro-esquerda, podendo ser estratégica para uma composição com vice-prefeita.

Após a derrota no primeiro turno para João Doria em 2016, o PT tenta retornar ao segundo turno. Entre 1992 a 1996, tivemos sete segundos turnos em São Paulo. O PT esteve presente em todos. Venceu em 2000 (Marta Suplicy) e 2012 (Fernando Haddad), mas foi derrotado em 1992, 1996, 2004 e 2008.

Nesse período histórico, as demais forças de esquerda não foram protagonistas em nenhum pleito, cenário que poderá mudar neste ano, principalmente se o PT não conseguir convencer Haddad em ser candidato.