Foto: Luis Macedo/Agência Brasil

Em 2020, haverá novo processo de escolha de líderes partidários na Câmara. Diferentemente dos senadores, que definem seus líderes a cada biênio, os deputados elegem os comandantes das bancadas anualmente. Entretanto, alguns partidos já fizeram suas escolhas no encerramento de 2019.

Os líderes são peças fundamentais para o processo decisório no Legislativo. Eles expressam a posição de seus partidos nas votações e nas articulações políticas, sendo responsáveis por indicar membros das bancadas para o preenchimento de vagas nas comissões e em outras funções na Casa. O posicionamento dos líderes em relação ao governo é fundamental para o êxito do Executivo nas votações realizadas no Congresso.

Levantamento da Arko Advice, com base nas votações nominais ocorridas em 2019, aponta os índices de adesão ao governo dos líderes já escolhidos e os favoritos para ocupar o comando dos principais partidos de centro e de direita. Juntos, eles somam 348 deputados (ver quadro).

Centrão

Na gestão do presidente Jair Bolsonaro, o bloco de partidos de centro/direita denominado Centrão tem desempenhado papel decisivo na Câmara. Principal força política da Casa, o grupo que é composto pelo Progressistas, PL, PSD, Republicanos, Democratas, Solidariedade e PTB, impôs ao Palácio do Planalto várias derrotas ou recuos de posicionamento na condução de votações durante 2019.

A julgar pelas escolhas já consumadas e pelas tendências, o governo deve manter atenção ao grupo. Os dois maiores partidos do Centrão, o Progressistas e o PL, devem reconduzir seus líderes em 2020. O progressista Arthur Lira (AL) e o liberal Wellington Roberto (PB) são os deputados que possuem o mais baixo percentual de adesão ao governo. Lira acompanhou a orientação do Executivo em 39% das votações, enquanto Roberto seguiu o governo em apenas 28%. Tais números só são superiores aos dos líderes da oposição.

O PSD vai oficializar Diego Andrade (MG) na liderança em fevereiro, no retorno dos trabalhos. Ele apresentou cerca de 60% de fidelidade ao Planalto em 2019. Outro que assumirá a bancada em fevereiro é Efraim Filho (PB), do Democratas. Apesar de a sigla ocupar três ministérios na Esplanada, o novo líder foi governista em pouco mais da metade das votações. Abaixo dos 50% de adesão está Jhonatan de Jesus (RR), do Republicanos, reconduzido ao posto.

Os líderes de partidos do Centrão que apresentaram os mais altos índices de governismo foram os do Solidariedade e do PTB, que vão comandar as menores bancadas do bloco, com 14 e 10 deputados, respectivamente. O primeiro deve escolher Zé Silva (MG), enquanto o segundo pode manter Pedro Lucas Fernandes, visto que Wilson Santigo (PB), inicialmente indicado, foi afastado do mandato por decisão do Supremo Tribunal Federal após a Operação Pés de Barro, que o acusa de desvio de dinheiro público. Silva e Fernandes possuem nível de adesão próximos a 70%.

Independentes

No grupo das legendas que se denominam independentes, o MDB manterá Baleia Rossi (SP) no comando. Baleia se alinhou a Bolsonaro em pouco mais de 50%. O PSDB vive uma disputa interna entre o grupo liderado pelo governador de São Paulo, João Doria, e o grupo do deputado Aécio Neves (MG). A bancada decidirá em fevereiro entre Beto Pereira (MS), nome apoiado por Doria, e Celso Sabino (PA), defendido por Aécio. Ambos possuem índices superiores a 70%.

O Podemos vai carimbar o nome de Léo Moraes (RO), também com mais de 70% de adesão. O PROS escolheu Acácio Favacho (AP), que responde por pouco mais de 60% de apoio. Já Paulo Ganime (RJ), escolhido líder do Novo no fim do ano passado, possui o maior índice de fidelidade ao governo Bolsonaro, com 86,5% de adesão ao posicionamento palaciano.

Governo

O único partido tido como governista automático é o PSL, ex-legenda do presidente Jair Bolsonaro. Porém, há uma incógnita quanto ao seu futuro líder. A bancada está rachada em função da disputa interna entre o grupo ligado a Bolsonaro e o grupo do presidente da sigla, Luciano Bivar (PE). No momento, a liderança está sob a titularidade de Eduardo Bolsonaro (SP), filho do presidente. Os deputados bolsonaristas estão de saída para fundar o partido Aliança pelo Brasil, mas ainda não se sabe quando eles deixarão a legenda.

Pelo lado bivarista, o nome de maior envergadura para comandar a bancada é o de Joice Hasselmann (SP). Eduardo possui taxa de 65% de fidelidade ao governo do pai. Esse número não é mais robusto por conta de algumas ausências em votações, o que reduz a média. Da mesma forma, Joice, que esteve a maior parte do ano na função de líder do governo no Congresso, também teve sua média puxada para baixo em decorrência de ausências, chegando perto de 55% de apoio.

Quadro – Líderes em 2020 e percentual de adesão ao governo

Partido Bancada Líder Adesão ao governo (%)*
PSL 53 Eduardo Bolsonaro (SP)¹ ou Joice Hasselmann (SP)² – disputa 65,33¹ e

54,74²

Progressistas 41 Arthur Lira (AL) – favorito 39,05
PL 40 Wellington Roberto (PB) – favorito 28,47
PSD 37 Diego Andrade (MG) – definido 59,49
PSDB 33 Beto Pereira (MS)¹

ou Celso Sabino (PA)² – disputa

78,47¹ e

72,99²

MDB 33 Baleia Rossi (SP) – definido 54,01
Republicanos 32 Jhonatan de Jesus (RR) – definido 46,35
DEM 26 Efraim Filho (PB) – definido 54,01
SD 14 Zé Silva (MG) – favorito 66,79
Podemos 11 Léo Moraes (RO) – definido 76,28
PTB 10 Pedro Lucas Fernandes (MA) – favorito 67,52
PROS 10 Acácio Favacho (AP) – definido 62,41
Novo 8 Paulo Ganime (RJ) definido 86,50

Fonte: Arko Advice e Câmara dos Deputados
* Análise com base em 277 votações em 2019, considerando as ausências

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