Foto: Alessandro Dantas

Durante sua participação ontem no programa “Roda Viva”, o ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro, foi novamente questionado sobre uma eventual candidatura à Presidência da República nas eleições de 2022.

Moro respondeu que “não tem esse tipo de pretensão”. Mas ao ser perguntado sobre se assinaria um documento dizendo que não será candidato afirmou: “Não faz o menor sentido assinar um documento desses, porque muitas pessoas assinaram e depois rasgaram esses documentos”.

Ao não descartar ser candidato ao Palácio do Planalto em 2022, Sergio Moro alimenta rumores de uma eventual candidatura presidencial.

Vale recordar que a última pesquisa Datafolha divulgada no final de dezembro sobre a confiança de diferentes personalidades políticas apontou Moro com o maior indicador, tendo registrado uma nota média de 5,9.

Mais do que isso, o ministro da Justiça é um nome muito popular em segmentos estratégicos do bolsonarismo, superando inclusive o presidente Jair Bolsonaro em muitos setores (ver tabela abaixo).

SEGMENTOS BOLSONARO
(%)
MORO
(%)
CONFIANÇA  (%) 22 33
MAIS DE 10 SM (%) 25 54
ENSINO SUPERIOR  (%) 20 37
EVANGÉLICOS (%) 39 36
SUL  (%) 27 43

*Fonte: Datafolha

Muito da popularidade de Sergio Moro decorre de sua destacada atuação como juiz da Operação Lava Jato.

Além disso, medidas tomadas pelo Ministério de Justiça e Segurança Pública no combate ao crime organizado começam a repercutir, sobretudo a queda nos índices de homicídios registrados no ano passado.

Esses fatores combinados com o desgaste que Bolsonaro colhe diante da opção de avançar na chamada “guerra cultural” leva naturalmente Moro a ser visto como uma opção de poder para 2022.

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Murillo de Aragão é advogado, jornalista, professor, cientista político e presidente da Arko Advice Pesquisas e sócio fundador da Advocacia Murillo de Aragão. É Formado em Direito pela Faculdade de Direito do Distrito Federal (UniCEUB), é mestre em Ciência Política pela Universidade de Brasília e doutor em Sociologia (estudos latino-americanos) pelo Ceppac – Universidade de Brasília. Entre 1992 e 1997 foi pesquisador associado da Social Science Research Council (Nova York). Foi membro do “board” da International Federation of the Periodical Press (Londres) entre 1988 e 2002. Foi pesquisador da CAPES quando doutorando no CEPAC/UnB. É membro da Associação Brasileira de Ciência Política, da American Political Science Association, da Internacional Political Science Association, da Ordem do Advogado do Brasil (Distrito Federal) e do IBRADE - Instituto Brasileiro de Direito Eleitoral. Foi membro do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social da Presidência da República (2007 - 2018). Como membro do Conselho, foi chefe de delegações do organismo na Rússia , BRICs e Comunidade Européia. Como palestrante e analista político, Murillo de Aragão proferiu mais de duas centenas de palestras, nos últimos 20 anos, em Nova York, Miami, Londres, Edimburgo, São Francisco, San Diego, Lisboa, Washington, Boston, Porto, Buenos Aires, Santiago, Lima, Guatemala City, Madrid, Estocolmo, Milão, Roma , Amsterdã, Oslo, Paris, entre outras, para investidores estrangeiros sobre os cenários políticos e conjunturais do Brasil. Aragão lecionou as matérias “Comportamento Político” e “Processo Político e Legislação” no Departamento de Ciência Política da Universidade de Brasília. Foi professor visitante da Universidad Austral, Buenos Aires e consultor do Banco Mundial. É professor-adjunto da Columbia University (Nova York) . Em 2017, foi convidado para ser professor-adjunto na Columbia University (Nova York) onde leciona a cadeira “Sistema Político Brasileiro”. É autor e autor do seguintes livros: Grupos de Pressão no Congresso Nacional (Maltese, 1992), ‘Reforma Política – O Debate Inadiável (Civilização Brasileira, 2014) e Parem as Maquinas (Sulina, 2017). É colunista de opinião da revista Isto É, e do jornal, O Estado de São Paulo.