Foto: Arison Jardim/Governo do Acre

A equipe do Ministério da Economia vem dando sinais de que infraestrutura é a pauta principal para 2020 e para o desenvolvimento do país.

O secretário de Produtividade, Emprego e Competitividade, Carlos Da Costa, disse que os três grandes eixos da agenda de 2020 que irão potencializar a competitividade das empresas e gerar postos de trabalho serão a redução da participação do governo em projetos de infraestrutura, o desenho de mercados setoriais que permitam o irrestrito investimento privado e o planejamento de longo prazo claro, estável e intersetorial.

Para estimular a produtividade urbana, o secretário de Desenvolvimento da Infraestrutura, Diogo Mac Cord, cita a importância de testar a utilização de terrenos públicos para fazer grandes empreendimentos de uso misto, com habitação social, mas oferecendo para o empreendedor a possibilidade de construir shoppings, estacionamentos e outros tipos de moradia.

Saneamento

Outro destaque é o Novo Marco do Saneamento, que está em discussão no Congresso Nacional. Na proposta, os contratos de saneamento deverão definir metas de universalização que garantam o atendimento de, respectivamente, 99% e 90% da população com água potável e coleta e tratamento de esgotos até 31 de dezembro de 2033. Novas diretrizes poderão atrair mais de R$ 500 bilhões em investimentos privados e criar até 700 mil empregos no país, segundo o secretário Mac Cord.

O PL 4162/2019 (Saneamento Básico) foi aprovado pela Câmara no final de 2019 e agora irá para apreciação do Senado. Os objetivos do texto são centralizar a regulação dos serviços de saneamento na esfera federal, instituir a obrigatoriedade de licitações e regionalizar a prestação a partir da montagem de blocos de municípios.

O tema está em discussão desde 2018, o modelo proposto abre caminho para o maior envolvimento de empresas privadas no setor. Os contratos de programa que já estão em vigor serão mantidos e, até março de 2022, poderão ser prorrogados por 30 anos. Esses contratos deverão comprovar viabilidade econômico-financeira, ou seja, as empresas terão de demonstrar que conseguem se manter por conta própria — via cobrança de tarifas.

A regulação do saneamento básico do Brasil vai ficar a cargo da Agência Nacional de Águas (ANA). O projeto exige dos municípios e dos blocos de municípios que implantem planos de saneamento básico.

Telecomunicações

Ainda com relação ao estímulo para o desenvolvimento, também foi destaque na agenda de produtividade e competitividade a aprovação do PLP 79/2016 que altera a Lei Geral de telecomunicações e promove a modernização do marco legal e regulatório, além de atualizar o setor para que esteja em consonância com as melhores práticas mundiais. A lei constitui novos alicerces para as telecomunicações no Brasil, orientados à expansão da banda larga móvel e fixa, proporcionando melhores condições para a transformação digital.

Entre outros pontos, permite às concessionárias de telefonia fixa a mudança de contrato de concessão para autorização, estabelecendo o mesmo tipo de contrato na prestação de telefonia celular. Como benefícios diretos da atualização regulatória podem ser citados o aumento dos investimentos, decorrentes da maior segurança jurídica em relação ao fim das concessões e das obrigações associadas à adaptação destas.

A alteração da legislação de telecomunicações para permitir a migração do regime de prestação dos serviços de telefonia fixa é um esforço meritório para reposicionar a Lei Geral de Telecomunicações frente aos desafios atuais do setor, principalmente, os decorrentes do fim dos contratos de concessão em 2025. O regramento atual encontra-se defasado, baseado em uma realidade mercadológica e tecnológica de 20 anos atrás, em antagonismo ao momento atual de disseminação da banda larga, digitalização da economia e evolução da chamada internet das coisas.

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Pedro Leal é Jornalista e Cientista Político, formado pela Universidade de Brasília. Trabalha na Arko Advice há mais de dois anos, atualmente como analista político com foco em inteligência no legislativo e mapeamento de stakeholder. Tem experiência no atendimento de fundos de investimento internacionais, associações de classe e multinacionais. Foi um dos coordenadores do Projeto Politeia, projeto de simulação do processo legislativo da Câmara dos Deputados e UnB.