Foto: Nacho Doce/Reuters

A Cúpula do Clima (COP25), que tinha por função assentar as bases para uma nova fase de ação climática, encerrou suas atividades na última sexta-feira (13), em Madri (Espanha), depois de duas semanas intensas de atividades com mais de cinquenta chefes de Estado e de Governo e representantes dos principais organismos internacionais.

Nessas duas semanas de evento, de 2 a 13 de dezembro, a Cúpula do Clima contou com quase 30 mil pessoas de cerca de 200 países, e teve como objetivo colocar em prática o que foi acordado em Paris, há quatro anos. O principal desafio da COP 25 era acelerar o combate às mudanças climáticas, dado que eventos como enchentes e queimadas estão intrinsecamente ligados ao aquecimento global causado pelo ser humano.

O secretário-geral da ONU, António Guterres, disse que só resta optar entre a esperança e a rendição, no que diz respeito ao quesito ambiental, e acrescentou que os países estão destruindo os sistemas que os mantêm vivos. A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, prevê para janeiro a primeira lei europeia de transição para a neutralidade climática. Já a presidente da Câmara de Representantes dos Estados Unidos, Nancy Pelosi, deixou claro, em nome da Câmara e do Congresso norte-americano, que segue envolvida com o tema.

Greta Thunberg
A ativista mirim Greta Thunberg também esteve em Madri (6) para participar de uma reunião de líderes mundiais, segundo ela, incompetentes na tarefa de combater as mudanças climáticas. Com pouco mais de um ano à frente da causa ambiental, Thunberg chegou à cidade espanhola depois de uma viagem de 21 dias de catamarã entre Estados Unidos e Portugal, mais algumas horas de trem, via Lusitânia, o único direto entre Lisboa e a cidade madrilenha.

Participação brasileira
Do Brasil, embarcaram para Madri o prefeito de Recife (Pernambuco), Geraldo Julio, acompanhado de uma comitiva de cerca de 60 integrantes, para uma agenda na segunda-feira (9). Julio disse que quer mostrar para o mundo que o Brasil tem muitos líderes e governos locais que estão comprometidos com o clima e que há posição frontalmente contrária à posição do governo nacional, em referência às atitudes anti-ambientalistas do governo Bolsonaro, do qual Geraldo é ferrenho crítico.

A comitiva também foi composta por líderes latino-americanos, como Jorge Muñoz, prefeito de Lima (Peru), e Arthur Virgílio Neto (PSDB-AM), prefeito de Manaus. O presidente do Senado Federal, Davi Alcolumbre (DEM-AP), viajou para Madri, no intuito de demonstrar o compromisso do Poder Legislativo para com a agenda ambientalista.

No sábado (7), Alcolumbre reuniu-se com representantes de ONGs brasileiras para tratar sobre essas políticas, e afirmou que o debate nas duas Casas Legislativas acontece em concordância com a preservação das riquezas naturais: “O Parlamento brasileiro não vai, em hipótese alguma, em nenhum momento, sob a nossa liderança, se curvar em a uma decisão unilateral do governo federal”, disse o presidente do Senado em referência às atitudes tomadas pelo Governo quanto ao meio ambiente, como a transferência de demarcação de terras indígenas da Funai para o Ministério da Agricultura.

Desde 2009, apenas no Senado, foram aprovados mais de 65 projetos e propostas na área. O senador também afirmou que não flexibilizará as leis ambientais, como tem defendido o presidente da República, Jair Bolsonaro, e fez questão de frisar sua experiência no assunto ambiental, posto que participou da COP 23, em 2017, em Bonn, Alemanha.

Junto com Alcolumbre, foram para cidade madrilenha o presidente da Comissão de Meio Ambiente (CMA), o senador Fabiano Contarato (REDE-ES), e os senadores Eliziane Gama (CIDADANIA-MA) e Randolfe Rodrigues (REDE-AP).

O ministro brasileiro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, por sua vez, usou seu tempo na COP 25 para se defender das acusações de ser o Brasil um dos grandes vilões do meio ambiente. “O vilão são os outros [países] que acabaram com suas florestas, poluíram por mais de 100 anos a atmosfera com gases do efeito estufa, com combustíveis fósseis”, afirmou. Além disso, o ministro disse que brasileiros que que falam mal do próprio país no exterior “precisam repensar o seu papel como brasileiros”.

Para corroborar ainda mais com a tese da COP 25, o prêmio “Fóssil do Ano”, uma representação não oficial que destaca países por ações prejudiciais ao meio ambiente, foi dado ao Brasil nessa conferência por dois motivos distintos: pela culpabilização da sociedade civil pelas queimadas na Amazônia e pela legitimação da grilagem de terras e da anistia do desmatamento.

Jair Bolsonaro
Além disso, a fala de Jair Bolsonaro, na época ainda candidato à presidência da República do Brasil, sobre se recusar a sediar a COP 25 no país também foi lembrada pela antipremiação como mais um ponto negativo do Brasil frente à defesa da causa ambiental.

Ao ser interpelado pela imprensa sobre a COP 25 no último domingo (15), Bolsonaro afirmou ser o evento um “jogo comercial” e que não houve “solução para reflorestar a Europa”, além de reafirmar que não recebeu o evento no país pois “eles teriam feito um carnaval no Brasil”. Sobre Greta Thunberg, o presidente brasileiro, na última semana, chamou-a de “pirralha”, adjetivo com o qual ela agora se define nas redes sociais em resposta ao comentário.

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