Foto: Cristiano Mariz/VEJA

O crescimento de 0,6% do Produto Interno Bruto (PIB) no terceiro trimestre, superando as expectativas, fortalece a posição do ministro da Economia, Paulo Guedes, como principal pilar de sustentação do governo Jair Bolsonaro. O resultado também contribui para reduzir a pressão sobre o ministro.

O desempenho positivo do PIB aumenta a credibilidade da agenda conduzida pela equipe econômica, além de criar um ambiente mais propício para o avanço das Propostas de Emenda à Constituição (PECs) da Emergência Fiscal, do Pacto Federativo e dos Fundos Públicos, além da Reforma Administrativa. E melhora o ambiente psicossocial da opinião pública diante dos números positivos.

Mesmo que a expansão do PIB ainda não seja percebida no emprego, os economistas projetam uma expansão de 2% em 2020. Há inclusive quem já fale em crescimento de 2,5%.

Apesar do calendário de 2020 no Congresso ser apertado por conta das eleições municipais, o cenário é favorável ao avanço da agenda reformista. Na semana passada, por exemplo, o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), afirmou que “todas as reformas serão aprovadas”.

Mas há obstáculos a serem superados. O primeiro é a impopularidade de alguns temas contidos nas PECs, como o fim da estabilidade para novos servidores e a possibilidade da redução da jornada de trabalho e dos salários no funcionalismo. Em que pese o perfil reformista do Congresso, o fato de 2020 ser ano de eleições municipais deixa os parlamentares mais sensíveis às pressões das corporações.

Além disso, o timing da economia não é o mesmo da política. Para Guedes, quanto mais profundas forem as reformas mais rápida será a retomada do crescimento. Já para o presidente Jair Bolsonaro, a questão política tem um grande peso, o que poderá impactar o ritmo das reformas econômicas.

Por exemplo, apesar da importância da Reforma Administrativa, seu envio ao Congresso foi “segurado” devido aos riscos políticos que Bolsonaro enxergou na medida. Uma das leituras feitas pelo presidente foi a de que essa reforma teria potencial para gerar protestos a partir da mobilização das corporações atingidas por ela.

Esse é um paradoxo que o governo terá de enfrentar daqui para a frente. Ao mesmo tempo que os resultados do PIB do terceiro trimestre apontam que a agenda econômica está no rumo certo, os freios que o timing político impõe às reformas é um obstáculo importante para a pauta pós-Previdência.

Assim, o governo precisará escolher: enfrentar as resistências que a agenda liderada por Guedes provoca no curto prazo, para colher benefícios políticos mais à frente; ou conduzir uma agenda reformista menos intensa.

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