Foto: Edilson Dantas / Agência O Globo

A operação da Polícia Militar (PM) que deixou nove jovens mortos durante um baile funk, em Paraisópolis, comunidade de São Paulo (SP) onde moram cerca de 100 mil pessoas, traz um grave problema para o governador João Doria (PSDB) administrar na sensível área da segurança pública.

Inicialmente, Doria respaldou a operação da PM. Em entrevista concedida no dia seguinte a tragédia, o governador negou que a mortes tenham sido causadas pela ação da polícia.

No entanto, o governador destacou que pode reavaliar e rever pontos específicos e penalizar quem cometeu erros, mas que manterá a política de segurança pública do Estado.

A versão apresentada por Doria é a mesma da polícia. Ou seja, os policiais militares reagiram a um ataque de dois criminosos que estavam em uma moto atirando. No entanto, frequentadores do baile funk negam que tenham ocorrido tiroteio e afirmam que os policiais  entraram na favela com o objetivo de fazer a dispersão em virtude do barulho, não porque havia criminosos fugindo em meio aos jovens.

Porém, após o ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro, classificar a operação da PM como “um erro grave operacional”, João Doria mudou seu discurso. O governador disse vai “revisar protocolos, treinamentos e comandos para que nenhum policial militar aja desta maneira”.

O governador comentou sobre as possíveis mudanças na Polícia Militar para complementar a resposta que disse ter ficado “muito chocado” em ver as imagens registradas em outubro deste ano, também em Paraisópolis, que mostram diversos jovens — inclusive um que anda com auxílio de muletas — sendo agredidos por um PM que usa um bastão. Após a divulgação das imagens, o policial foi afastado do patrulhamento de rua.

Apesar de mudança de discurso de João Doria, o desgaste para a imagem do governador é praticamente inevitável, já que o a ação em Paraisópolis ocorre menos de uma semana após o Palácio dos Bandeirantes ter começado a divulgar as metas do governo na área de segurança.

Com os grandes meios de comunicação do país dando um grande espaço a cobertura do episódio, e o ministro Sergio Moro criticando a ação da polícia militar, os questionamentos a política de segurança tende a crescer, sobretudo junto a população dos bairros populares, desgastando a imagem de João Doria nessa problemática área.