Foto: Jefferson Rudy/Agência Senado

Cresce nos bastidores da política paulistana a cotação da ex-prefeita e ex-senadora Marta Suplicy (Sem partido) como pré-candidata à Prefeitura de São Paulo (SP). O nome de Marta começou a ganhar força depois de o ex-presidente Lula (PT), durante o Congresso Nacional de seu partido na semana passada, defender o retorno da ex-prefeita a legenda.

Diante da recusa do ex-prefeito Fernando Haddad (PT) em ser candidato, Lula acredita que, através de Marta Suplicy, seria possível o PT chegar ao segundo turno.

A aposta do ex-presidente é que seu prestígio nas periferias da cidade combinado com a força de Marta nessa mesma região, que foi muito beneficiada pelas políticas públicas adotadas por ela quando foi prefeita da capital paulista, coloquem os petistas novamente como protagonistas na disputa pela capital mais cobiçada do país nas eleições de 2020.

O problema é que o desejo de Lula encontra resistências internas no PT. Como Marta deixou o partido em 2015 para se filiar ao MDB e ainda votou a favor do impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff (PT), a rejeição ao retorno da ex-prefeita a legenda ainda é bastante expressiva.

Porém, pesa a favor do retorno de Marta Suplicy o desejo de Lula e as análises feitas de que o PT somente deve ter fôlego de sonhar com uma vaga no segundo turno caso Marta seja a candidata.

Além da possibilidade do retorno do PT, não devemos descartar a filiação de Marta ao PDT para concorrer à prefeita ou a vice, principalmente se as resistências ao seu nome entre os petistas não conseguirem ser quebradas por Lula.

Caso ingresse no PDT, Marta Suplicy teria mais chances de ser candidata, principalmente porque diante do afastamento da deputada federal Tabata Amaral (PDT-SP) em relação a Ciro Gomes (PDT) e Carlos Lupi (PDT), que comandam o partido nacionalmente, os pedetistas estão sem candidato natural na capital paulista.

Existe também a possibilidade de Marta concorrer como vice na chapa do vice-governador Márcio França (PSB) caso seja construída uma aliada dos socialistas com o PDT. A chapa Márcio e Marta teria um grande potencial competitivo, já que o ex-governador transita muito bem na classe média paulistana enquanto a ex-prefeita é muito forte nas periferias da capital.

Diante do ingresso do nome de Marta Suplicy na bolsa de apostas, o PSOL também resolveu se movimentar. Na semana passada, o partido passou a admitir a possibilidade de lançar uma chapa-pura unindo o líder do MTST, Guilherme Boulos, e a deputada federal e ex-prefeita Luiza Erundina.

Mesmo que a chapa Boulos-Erundina tenha dificuldades para chegar no segundo turno, ela poderá tirar eleitores das demais opções desse campo existentes no tabuleiro.

Em que pese as indefinições que sobre a sucessão de 2020 em São Paulo, o nome de Marta Suplicy mexe no tabuleiro. Se for a candidata do PT, tem grandes possibilidades de levar o partido ao segundo turno. Caso apoie Márcio França, alavanca o nome do ex-governador e isola o PT.

É de olho nessas movimentações que o PSOL adiantou a construção de sua chapa, pois caso Marta Suplicy opte por outro caminho que não o PT, os petistas necessitarão de uma composição com PSOL e PCdoB para não ficarem totalmente isolados. Além disso, sem Marta e com Haddad não querendo concorrer, restaria ao PT apostar no ex-ministro Alexandre Padilha, um nome com baixa possibilidade de chegar ao segundo turno.

Independente do destino de Marta, a construção de uma frente unindo esquerda e centro-esquerda é cada vez mais improvável, principalmente porque PSB e PDT, ao menos no primeiro turno, não devem apoiar um nome petista.

Compartilhe