Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

A primeira entrevista coletiva concedida pelo prefeito Bruno Covas (PSDB), depois de ficar 23 dias internado para iniciar o tratamento de um câncer, marcou seu retorno à prefeitura e foi cercada de significados políticos.

A aparição pública de Covas busca afastar, ao menos momentaneamente, os rumores de que, em função do tratamento do câncer, ele poderá não ser candidato à reeleição.

Mesmo que tenha evitado falar sobre as eleições municipais de 2020, Bruno Covas, ao reaparecer publicamente ao lado do governador João Doria (PSDB) reforça o alinhamento político entre ambos.

Além de receber o apoio de Doria, o governador passou a articular uma composição de Covas com a deputada federal Joice Hasselmann (PSL-SP), que foi fundamental para Doria vencer o ex-governador Márcio França (PSB) na eleição de 2018 ao Palácio dos Bandeirantes, e que recentemente rompeu com o presidente da República, Jair Bolsonaro.

Embora Joice Hasselmann tenha declarado ao “Estadão” que não ter perfil para ser candidata vice na chapa de Bruno Covas, ela não descartou um entendimento com o PSDB em 2020 na capital paulista.

Mesmo que Covas e Joice não admitam uma possível composição entre eles, o encontro a portas fechadas por cerca de duas horas, a avaliação feita por setores do PSDB e PSL que Joice Hasselmann desponta como uma espécie de “Plano B” do governador João Doria na disputa pela Prefeitura de São Paulo reforçam os rumores de uma possível composição.

Apesar da administração de Bruno Covas ter uma avaliação regular, no PSDB existe a avaliação que a decisão do prefeito em continuar do trabalhando do hospital, mesmo durante o tratamento do câncer e sem se afastar do cargo, mudou sua candidatura de patamar. Mais do que isso, internamente, os movimentos contrários à reeleição de Covas perderam força.

Hoje, o candidato de Doria é Bruno Covas. Entretanto, uma eventual composição com Joice Hasselmann agrega para a chapa de Covas os setores conservadores que simpatizam com Joice e mostram insatisfação com os rumos do governo Jair Bolsonaro.

Ainda é cedo para saber se Joice aceitará ser vice de Covas. No entanto, tal chapa tendo o apoio de Doria ganha musculatura.

Também não devemos descartar que, ao patrocinar o diálogo de Joice Hasselmann com Bruno Covas, João Doria também deseja quebrar resistências ao nome de Joice no PSDB caso Covas não possa concorrer à reeleição. Nesta hipótese, Doria trabalharia para unir PSDB, PSL e DEM em torno de Joice Hasselmann.

Os movimentos que Doria está realizando mostram a preocupação do governador com a disputa pela Prefeitura de São Paulo e seu impacto sobre a viabilidade de sua candidatura presidencial em 2022.

Não é por acaso que João Doria, além da aproximação com Joice Hasselmann, filiou o deputado federal Alexandre Frota no PSDB após ele se desfiliar do PSL. Ou seja, Doria vem trabalhando na atração do bolsonarismo dissidente como força de ganhar terreno junto as forças de centro-direita visando as eleições de 2022.

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