Foto: Alan Santos/Presidência da República

Nesta semana (13 e 14), os líderes de Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul, países que integram o Brics, se reúnem em Brasília para a 11ª Cúpula do bloco. Um dos temas principais, porém, não consta da agenda formal dos chefes de Estado: saber qual a importância do Brics para o Brasil. Até hoje o presidente Jair Bolsonaro não disse que prioridade seu governo dará a esse mecanismo.

Em julho, o ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, foi o anfitrião, no Rio de Janeiro, da reunião de chanceleres do Brics. Sua postura foi fortemente criticada pelos demais ministros. É que Araújo, no lugar de tratar dos aspectos relacionados ao bloco, priorizou a pressão, principalmente sobre China e Rússia, em relação à crise na Venezuela. Tanto nas reuniões conjuntas quanto nas bilaterais, ele praticamente só tratou desse tema.

No encontro da próxima semana, sabe-se que Bolsonaro receberá separadamente, para tratar de assuntos políticos e econômicos, os presidentes da Rússia, Vladimir Putin, e da África do Sul, Cyril Ramaphosa, e o primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi, no Palácio do Planalto. O presidente da China, Xi Jinping, com quem o presidente se reuniu em outubro em Pequim, será recebido em reunião e em almoço no Palácio do Itamaraty.

De acordo com o embaixador Norberto Moretti, principal negociador do Brasil no Brics, o tema Venezuela estará mais uma vez no topo da agenda. Ele afirmou, na terça-feira (05), que os países do bloco deveriam dar atenção às explicações do governo brasileiro sobre sua posição em relação ao conflito no país vizinho.

Enquanto o governo brasileiro reconhece Juan Guaidó como presidente da Venezuela, a China, a Rússia, a Índia e a África do Sul veem como legítima a eleição do presidente Nicolás Maduro. Além disso, Moscou e Pequim temem que, por influência americana, o Brasil decida apoiar uma intervenção militar estrangeira naquele país.

Outra preocupação diz respeito ao Novo Banco de Desenvolvimento (NBD). O Brasil ainda não ratificou o acordo que cria o Escritório Regional para as Américas, que funcionará em São Paulo. O texto nem sequer começou a andar na Câmara dos Deputados. Não por acaso o Brasil é o membro que menos projetos aprovou para receber financiamentos do banco.

Por outro lado, a realização do Fórum Empresarial do Brics, que reunirá 500 empresários no dia 13, pode provocar mudanças significativas quanto à postura brasileira. De olho nos negócios, o setor privado cobra mais assertividade do Planalto. No dia 14, os líderes do Brics se reunirão com os empresários que compõem o conselho da organização. Os chefes de Estado podem se reunir ainda com a direção do NBD.

Deverão estar na pauta os seguintes temas: a cooperação para o desenvolvimento de parques tecnológicos e incubadoras para a formação de pesquisadores, uma maior integração dos países do Brics no combate à corrupção e ao terrorismo, o intercâmbio de boas práticas e o desenvolvimento de medicamentos contra a tuberculose. Mas as questões políticas devem dominar os debates, o que pode ser bom para aumentar o grau de coordenação do bloco nos demais fóruns internacionais, ou muito ruim, se as divergências quanto à Venezuela de destacarem.

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