Foto: Joka Madruga / Agência PT

Entrevista ao Jornal Meu Dinheiro, por Eduardo Campos:

 

Segundo cientista político, mercado está mais ansioso com possíveis desdobramentos do que com a soltura do ex-presidente em si. Agenda de reformas depende do governo e do Congresso.

O mercado está mais ansioso com os possíveis desdobramentos da soltura do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva do que com fato de sua liberdade em si. A avaliação é do cientista político e sócio da Arko Advice, Lucas de Aragão.

Procurei Lucas depois de perder a conta de quantos relatórios e conversas já tive em diferentes fóruns para tentar entender esse receio do mercado com o “Lula livre”, um evento, em tese, bastante esperado.

Segundo Aragão, estamos no momento das expectativas e ansiedades que levantam algumas dúvidas. Vamos a elas:

  • Teremos impactos na agenda de reformas? Haverá mudança nesse movimento de busca por um Estado mais enxuto, de privatizações e política fiscal responsável?
  • A soltura de Lula terá impacto nas eleições municipais de 2020?
  • E se essa soltura, tentando olhar mais adiante, abre caminho para candidatura do próprio Lula ou fortalece o PT ou alguma candidatura de mesma corrente em 2020?

“Essas são as ansiedades do mercado e é nisso que o mercado está reagindo ou pode reagir. Agora, no fato, como analista político, digo aos meus clientes, acho que não tem impacto”, diz Aragão.

Ainda de acordo com ele, essa questão das expectativas depende da ansiedade de cada um, depende das informações e da capacidade analítica de cada um. Por isso há uma dispersão de avaliações com relação ao tema.

Não impacta no fato

Para Aragão, a soltura de Lula não tem impacto na agenda de reformas do governo. Essa agenda só poder ser impactada pelos erros do próprio governo, pela má vontade do Congresso e por uma falta de comunicação do governo com o Congresso e com a sociedade.

“Não acho que vai ser o Lula o arquiteto do fracasso das reformas se ele vier a acontecer”, pondera Aragão.

Segundo ponto do especialista é que Lula não será candidato em 2022. Mesmo que Sergio Moro seja declarado suspeito pelo Supremo Tribunal Federal (STF), o que anularia condenações, o ex-presidente tem outros processos que devem caminhar até 2022, deixando-o como candidato “ficha suja” até as eleições presidenciais.

Para Aragão, a grande pergunta é se o Bolsonaro vai conseguir aprovar as reformas, se o Congresso vai se motivar para aprovar. E aqui entra a capacidade de interlocução do governo com a sociedade e com o Congresso.

 

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