Foto: Pilar Oliveira/Reuters

Sem concorrência, três empresas petrolíferas estatais dominaram os dois leilões de petróleo realizados na quarta e na quinta-feira da semana passada, surpreendendo o governo: a Petrobras, a China National Oil and Gas Exploration and Development Company (CNODC) e a China National Offshore Oil Corporation (CNOOC).

No leilão da cessão onerosa de quarta, o consórcio formado por Petrobras e pelas petroleiras chinesas levou duas das quatro áreas oferecidas: Itapu e Búzios. Cada uma das chinesas tem participação de 5% no consórcio. Das 14 empresas habilitadas, apenas a metade compareceu.

O jornal Folha de S. Paulo publicou na sexta-feira que o presidente Jair Bolsonaro teria pedido ao dirigente da China, Xi Jinping, durante sua viagem a Pequim, no fim de outubro, que as petroleiras do país participassem do leilão. O governo brasileiro já estaria ciente de que, pelo modelo previsto para a venda dos campos do pré-sal, não haveria concorrentes. Os valores pagos pelos chineses à Petrobras funcionam como antecipação da exportação de petróleo.

Nesse certame, o governo esperava arrecadar R$ 106,6 bilhões em bônus de assinatura, mas obteve somente R$ 69,9 bilhões. No dia seguinte, houve o leilão da 6ª Rodada de Partilha de Produção, no qual o governo contava receber R$ 7,85 bilhões, mas ficou com R$ 5,05 bilhões (64,3% do total esperado). Dos cinco blocos oferecidos, quatro ficaram encalhados. A Petrobras, com uma de suas sócias do leilão da cessão onerosa, a CNODC, apresentou a única oferta e arrematou o bloco de Aram, na Bacia de Santos, o mais caro entre os ofertados.

O diretor-geral da Agência Nacional do Petróleo (ANP), Décio Oddone, admitiu: “Estou surpreendido. Esperava que houvesse a contratação dessas três áreas pelas quais a Petrobras manifestou direito de preferência. Mas isso não tira o brilho do conjunto da obra dos leilões que realizamos este ano. O que foi contratado já garante a retomada da indústria.” Para Oddone, as petroleiras gastaram muito em licitações anteriores e o momento é de investir no desenvolvimento das áreas já arrematadas.

Dezessete empresas estavam habilitadas para disputar os blocos no leilão de quinta-feira, entre elas as gigantes ExxonMobil, Shell, BP e Chevron. Nenhuma delas apresentou proposta, evidenciando grande desinteresse pelo modelo brasileiro de concessão.

Compartilhe