Câmara dos Deputados

O senhor foi ministro e encaminhou a privatização da Eletrobras no governo Temer. Qual a sua perspectiva agora para a proposta encaminhada pelo governo?
Eu espero que agora a Câmara tenha a oportunidade de debater esse projeto. Vai ser criada uma nova comissão, com novos membros, e a gente vai poder debater e apontar sua importância. Eu, particularmente, acredito na privatização da empresa. É um debate que envolve muita disputa, há muita ideologia embarcada nessa questão da privatização, e isso geralmente sempre acirra os ânimos. Mas acho que o importante é a gente conseguir o objetivo final, que é capitalizar a Eletrobras e criar uma empresa mais forte para os brasileiros.

A ausência de mecanismo de golden share dificulta?
Cada vez que a gente coloca mais coisas nesse projeto a gente tira também o valor da empresa. Cada vez você limita mais. O importante é, ao final, privatizar a Eletrobras. Se para isso for necessário ter um instrumento como esse, isso surgirá no debate. E aí vai prevalecer o entendimento da maioria, seja sobre esse ponto, seja sobre outros. É um outro Congresso. Se não for necessário, ótimo, pois aí você dá uma liberdade muito maior à empresa. Vamos aguardar o debate.

A questão em torno das subsidiárias emperrou bastante o projeto anterior. Acha que esse aspecto vai continuar sendo um dificultador?
Acho que o que pega nesse debate da privatização é menos essa questão regional e mais a preocupação com a atuação das empresas. Com a Eletrobras privatizada, que papel ela vai ter? Com quem ela vai trabalhar? Do que ela vai cuidar? Ela vai continuar dando o apoio do qual os programas sociais precisam? Se isso tudo for atendido, não acho que a bancada do Norte e do Nordeste, seja lá qual for, irá se opor. Acredito que a preocupação é muito mais com isso do que decorrente de apego à subsidiária A, B ou C.

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