Edilson Rodrigues/Agência Senado
Spread the love

A culpa, na política, é presença constante. A política é uma atividade de alto risco em que errar é a regra. Perdem-se eleições antes de vencê-las. Teses são derrotadas até que, um dia, possam ser aprovadas.

Política é luta, e luta é confronto. No confronto existem perdedores e ganhadores. Quem perde erra e, consequentemente, existirão parcelas de culpas.

Não no sentido jurídico, de culpa que se opõe a dolo. Na política, a culpa é de quem erra, por ter tomado decisões que levaram a determinado fato.

Cabe ao político saber lidar com o erro e a culpa. É parte permanente do jogo. O bom político aprende com os erros e trata a culpa de modo conveniente. A política tem na dissimulação um de seus instrumentos mais poderosos.

Para não ser destruído pelos próprios erros, o político os esconde e os renega. Não sendo possível, culpa os outros. Como diria Homer Simpson: “A culpa é minha, coloco-a em quem eu quiser.”

O político quase nunca admite a culpa em público. O ex-presidente Lula, por exemplo, jamais admitiu publicamente que o maior erro de sua vida foi a trágica escolha de Dilma Rousseff para sucedê-lo no Palácio do Planalto.

Na intimidade, contudo, admite o erro. E há quem diga que ele acha que acabou atrás das grades por conta dos erros de Dilma.

Lula, como outros políticos, repete um padrão típico de líderes messiânicos: não assume culpas em público, traço comum em figuras como Hitler, Stalin, Chávez, Castro e Mussolini, entre outros. Eles sempre buscaram colocar a culpa de seus fracassos nos outros.

Obviamente, o político de sucesso é o que erra menos.

Para muitos, o britânico Winston Churchill foi o maior estadista de todos os tempos. No entanto,ele precisou montar uma coleção extraordinária de erros até conseguir se tornar o maior líder político do século XX.

Paradoxalmente, quando Churchill concluiu sua maior vitória, impor a derrota aos nazistas, foi derrotado nas eleições parlamentares.

Mas ele soube sobreviver aos próprios erros.

É o que Lula tenta fazer, de forma incansável, pensando na ex-presidente Dilma e lembrando o cantor e compositor paulista Kiko Zambianchi: “Se um dia eu pudesse ver/ Meu passado inteiro/E fizesse parar de chover/Nos primeiros erros.”

Artigo anteriorEntrevista com Deputado Baleia Rossi, presidente nacional do MDB e líder do partido na Câmara
Próximo artigoAustralianos vencem o primeiro leilão de área mineral em Tocantins
Murillo de Aragão é advogado, jornalista, professor, cientista político e presidente da Arko Advice Pesquisas e sócio fundador da Advocacia Murillo de Aragão. É Formado em Direito pela Faculdade de Direito do Distrito Federal (UniCEUB), é mestre em Ciência Política pela Universidade de Brasília e doutor em Sociologia (estudos latino-americanos) pelo Ceppac – Universidade de Brasília. Entre 1992 e 1997 foi pesquisador associado da Social Science Research Council (Nova York). Foi membro do “board” da International Federation of the Periodical Press (Londres) entre 1988 e 2002. Foi pesquisador da CAPES quando doutorando no CEPAC/UnB. É membro da Associação Brasileira de Ciência Política, da American Political Science Association, da Internacional Political Science Association, da Ordem do Advogado do Brasil (Distrito Federal) e do IBRADE - Instituto Brasileiro de Direito Eleitoral. Foi membro do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social da Presidência da República (2007 - 2018). Como membro do Conselho, foi chefe de delegações do organismo na Rússia , BRICs e Comunidade Européia. Como palestrante e analista político, Murillo de Aragão proferiu mais de duas centenas de palestras, nos últimos 20 anos, em Nova York, Miami, Londres, Edimburgo, São Francisco, San Diego, Lisboa, Washington, Boston, Porto, Buenos Aires, Santiago, Lima, Guatemala City, Madrid, Estocolmo, Milão, Roma , Amsterdã, Oslo, Paris, entre outras, para investidores estrangeiros sobre os cenários políticos e conjunturais do Brasil. Aragão lecionou as matérias “Comportamento Político” e “Processo Político e Legislação” no Departamento de Ciência Política da Universidade de Brasília. Foi professor visitante da Universidad Austral, Buenos Aires e consultor do Banco Mundial. É professor-adjunto da Columbia University (Nova York) . Em 2017, foi convidado para ser professor-adjunto na Columbia University (Nova York) onde leciona a cadeira “Sistema Político Brasileiro”. É autor e autor do seguintes livros: Grupos de Pressão no Congresso Nacional (Maltese, 1992), ‘Reforma Política – O Debate Inadiável (Civilização Brasileira, 2014) e Parem as Maquinas (Sulina, 2017). É colunista de opinião da revista Isto É, e do jornal, O Estado de São Paulo.