REUTERS/Adriano Machado

No último sábado (19), o presidente da República, Jair Bolsonaro, deu início à sua primeira viagem, desde que assumiu o Palácio do Planalto, à Ásia e ao Oriente Médio, onde passará por cinco países: Japão, China, Emirados Árabes Unidos, Catar e Arábia Saudita. De acordo com o embaixador Reinaldo José de Almeida Salgado, secretário de Negociações Bilaterais na Ásia, Pacífico e Rússia do Ministério das Relações Exteriores (MRE), a viagem presidencial representa um novo posicionamento do governo brasileiro em política externa, qual seja, o de melhorar o ambiente de negócios, abrir a economia e tornar o país mais atrativo para investimentos estrangeiros.

Na avaliação de Reinando Salgado, a Ásia é de longe a região mais dinâmica da economia mundial e lá vivem 4 bilhões de pessoas, o que corresponde a 65% da população mundial. Ainda segundo o diplomata, as exportações brasileiras para os países asiáticos nesses primeiros nove meses do ano foram de 40% do total das exportações e quase 34% das importações brasileiras também vieram da região.

Já o Secretário de Negociações Bilaterais no Oriente Médio, Europa e África do Ministério das Relações Exteriores, Kenneth Félix Haczynski da Nóbrega, sublinha que a visita do presidente Jair Bolsonaro a três países do Oriente Médio oportuniza a implementação de duas diretrizes da política externa brasileira: intensificar as relações do Brasil com países do Oriente Médio – tanto com Israel quanto com os países árabes; e divulgar internacionalmente as reformas macroeconômicas e microeconômicas que o governo Bolsonaro está empreendendo no campo econômico, bem como divulgar as oportunidades de negócio no Brasil. Nóbrega entende que essa visita busca não só dar implementação a uma intensificação das relações bilaterais no campo político, mas também uma intensificação dos laços econômicos comerciais.

Por sua vez, Bolsonaro acredita que a expectava para a viagem é a melhor possível, uma vez que vários contatos foram feitos e que muitos acordos devem ser assinados. Segundo o presidente, há interesse também da parte deles e não apenas do Brasil, que está aberto para o mundo. Ao afirmar que o governo não tem mais o viés ideológico para fazer negócios, ele disse estar otimista com uma viagem bastante proveitosa.

A missão empresarial, organizada pela Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil) em parceria com o MRE, conta com mais de cem empresas brasileiras com agendas direcionadas à exportação e à atração de investimentos. Majoritariamente do setor de alimentos e bebidas, há também empresas dos setores de máquinas, energia, mineração, produtos químicos, calçados e couro, veículos, papel e celulose e serviços como TI, engenharia, serviços financeiros e jurídicos.

Japão

No dia 22 de outubro, o presidente Jair Bolsonaro, que chegou nesta segunda-feira (21) ao Japão, participa da cerimônia de entronização do imperador japonês Naruhito, a ser realizada no Palácio Imperial em Tóquio. Considerado um evento tradicional, Bolsonaro pretende com a sua presença dar um gesto de carinho e consideração, que, segundo ele, sempre teve particularmente com o Japão.

China

De acordo com o Itamaraty, a viagem à China marca os 45 anos de retomada das relações diplomáticas entre os dois países, e se insere em três áreas prioritárias na relação bilateral: ampliação e diversificação das exportações brasileiras; atração de capital e investimentos chineses para o Brasil, principalmente para os projetos do Programa de Parcerias de Investimentos (PPI); e cooperação na área de ciência e tecnologia.

Mundo árabe

Também segundo o Ministério das Relações Exteriores, a passagem de Bolsonaro pelo mundo árabe, com escalas nos Emirados Árabes Unidos, Catar e Arábia Saudita, leva consigo uma pauta com viés comercial sobretudo voltada aos seguintes pontos: aumento das exportações da agropecuária brasileira; atração de investimentos para os projetos de concessão e privatização de ativos do PPI; e interesse árabe na indústria de defesa do Brasil.

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