Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil

O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), pressiona pela ocupação de espaço dentro do governo através de indicações para cargos no setor político. Ele vinha se concentrando especialmente no setor de energia, onde houve pedidos de diretorias de estatais e de órgãos do governo para apadrinhados políticos.

Agora, as atenções se voltam para as agências reguladoras. Alcolumbre não gostou de as indicações feitas há duas semanas para a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) não terem passado por seu crivo e atuou para trocar os nomes.

O poder que o presidente do Senado tem foi ampliado por decisões tomadas pelo presidente Jair Bolsonaro, entre elas a de indicar o deputado Eduardo (PSL-SP), seu filho, para o cargo de embaixador dos Estados Unidos, cuja aprovação precisa de aval do Senado.Por isso, Alcolumbre tem cada vez mais pressionado o governo a entregar cargos para indicação política.

No mês que vem ficarão vagos dois cargos na diretoria da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq) e dois na Anac. O ministro da Infraestrutura, Tarcísio de Freitas, não abre mão de indicar técnicos com conhecimento do setor para as vagas. No início de 2020 ficarão vagos dois cargos de diretor da ANTT, sendo um de diretor-geral. A agência viveu, nos últimos anos, a experiência de ter três diretores nomeados por decreto sem aprovação do Senado em função de disputas políticas.

Na avaliação do ministro, a indicação de nomes técnicos é um dos alicerces para a eficácia da política do governo de atrair investimentos privados para o setor de infraestrutura nos próximos anos, dando garantia de que as decisões desses órgãos terão qualidade e ficarão distantes da influência de grupos privados e do governo.

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