JB Neto/Folha Imagem

Está em curso no PSDB um movimento de reposicionamento no tabuleiro político do país. Desde as eleições de 2018, quando os tucanos perderam o protagonismo no campo antipetista para o bolsonarismo, o partido tenta se reconstruir.

Os primeiros passos para isso ocorreram ainda no segundo turno das eleições presidenciais, quando tucanos históricos, como o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e o ex-governador Geraldo Alckmin, não se posicionaram entre os concorrentes: Jair Bolsonaro (PSL) e Fernando Haddad (PT).

Embora a maior liderança tucana hoje, o governador de São Paulo, João Doria, tenha feito campanha para Bolsonaro no segundo turno da disputa ao Palácio dos Bandeirantes, quando derrotou o então governador Márcio França (PSB), Doria também está procurando ocupar o centro.

Na última quarta-feira (02), durante entrevista à GloboNews, Doria declarou que nunca foi bolsonarista e que só “incorporou” o slogan “BolsoDoria” em 2018 devido à conjuntura eleitoral que enfrentava em São Paulo naquele momento.

Tal afirmativa revela um reposicionamento também do discurso de Doria no tabuleiro. Antes da manifestação à GloboNews, o governador paulista já vinha buscando o centro ao criticar ações consideradas “muito à direita” por parte do presidente Bolsonaro.

O cálculo de Doria e do PSDB é que a polarização entre o bolsonarismo e o PT chegará a um esgotamento de médio a longo prazo. Por isso eles estão buscando esse realinhamento.

Considerando que temos um vazio ao centro, o movimento dos tucanos faz sentido. Principalmente se levarmos em conta que o MDB está enfraquecido e que partidos do chamado centrão (DEM, PSD, PP, PTB, PRB, PL etc.) não têm a força do PSDB.

Embora haja espaço para os tucanos ocuparem o centro, o partido continua carecendo de uma narrativa que justifique tal posição. Além disso, há grande dificuldade de unidade interna e Doria ainda encontra resistências a seu nome na chamada “velha guarda”.

O primeiro teste do novo posicionamento do PSDB se dará nas eleições municipais de 2020. Vencedores do pleito municipal de 2016, os tucanos têm o desafio de se manterem como protagonistas, mesmo que venham a perder o controle de alguns colégios eleitorais.

Conforme podemos ver, os desafios para que esse reposicionamento renda frutos ao partido são significativos. Vale lembrar que a base eleitoral tucana dos grandes centros urbanos (em especial os setores conservadores que votavam no PSDB até 2014 por falta de opções viáveis mais à direita) está hoje alinhada com o bolsonarismo e com forças liberais de direita mais moderadas.

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