Adriano Machado/Reuters

O presidente Jair Bolsonaro tinha uma chance rara, quiçá única de se posicionar perante a comunidade internacional. Após o governo brasileiro levar surras contínuas de grandes potências e da imprensa em todos os cantos do planeta, o momento pedia moderação. Suscitava uma fala conciliadora, que demonstrasse ao mundo o interesse do Brasil em dialogar. Um discurso capaz de direcionar a nossa imagem de momento — de inquestionável pária internacional — para um espectro mais afeito à nossa histórica reputação diplomática.

Pois o presidente desperdiçou a chance que teve.

A questão não é difícil de entender, mas merece ser explicada: embora figure como um dos grandes, senão o maior dos temores na visão do presidente, “Foro de São Paulo” não é uma expressão capaz de provocar impacto em uma plateia global. Idem para termos como “petista”, ou nomes como o do ministro Sérgio Moro.

No fim das contas, é como se o presidente tivesse viajado até Nova Iorque para não sair do lugar. Falou em um ambiente esplêndido, às margens de um rio importante e em uma cidade que traduz como nenhuma outra o sentido de cosmopolitismo. Contudo poderia muito bem ter oferecido o mesmo falatório em cima de um carro de som na Avenida Atlântica ou na Paulista.

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