Marcos Corrêa/PR/Flickr

Desde maio, um certo incômodo no mundo palaciano ronda a equipe econômica. Publicamente não há manifestação de desagrado à condução. Mas já se contabilizam sinais de que Paulo Guedes deixaria a desejar em alguns tópicos.

O primeiro deles é a escassez de soluções para aquecer a economia. As soluções apresentadas foram, basicamente as mesmas por Henrique Meirelles no governo Temer: crédito e FGTS. Nada com maior impacto.

O segundo tópico é o descuido com o fato de que a agenda reformista é eminentemente recessiva (em seu início) e, portanto, caberia ter ações analgésicas compensatórias para que o impacto social fosse minimizado.

O terceiro item é que Paulo Guedes é adepto de uma narrativa sinistra como forma de impulsionar as reformas. Para fontes do Palácio, Guedes teria que ser mais inspirador da solução do que oráculo do desastre. O pálido crescimento da economia, entre outras coisas, estaria na baixa capacidade de sua narrativa inspirar a expectativa dos melhores tempos.

A quarta questão está na forma em que dois elementos de ponta de sua equipe foram demitidos de forma humilhante pelo governo: Joaquim Levy e Marcos Cintra. A situação de Levy foi tão constrangedora que houve resistência interna na equipe econômica para ocupar a presidência do BNDES.

Neste ponto, a questão tem duas vertentes. Uma é a incapacidade de Paulo Guedes de defender os seus e saber se livrar deles de maneira suave. A outra é que, sabendo que Bolsonaro nada faz sem pensar, a equipe econômica ficou exposta aos humores e vontades de um presidente voluntarista.

O quinto tema está no fato de que a narrativa contra o privilégio dos campeões nacionais deprime setores que são essenciais para a dinâmica econômica do país. E que seriam importantes para a retomada. Reinseri-los no esforço de crescimento seria relevante.

A sexta questão está no fato de que, apesar da Medida Provisória da liberdade Econômica, faltam outras boas medidas microeconômicas. Principalmente, desburocratizantes e que contenha o delírio arrecadatório da Receita que produz regras atrás de regras perturbando o mundo empresarial brasileiro.

Apesar do voluntarismo nas declarações, a equipe econômica continua refém do corporativismo da Receita Federal e cercanias. Nesse tocante, ela não produz nem luz nem calor.

Por fim, o perfil “bad cop” de Guedes na questão da previdência funcionou porque a Câmara queria aprovar a reforma. Existia um saldo acumulado em favor da reforma. Porém, sem o “good cop” desempenhado por Rogerio Marinho, as coisas teriam sido muito mais difíceis.

De hora em diante, a capacidade de negociação de uma equipe praticamente neófita no jogo político de Brasília será testada duramente. No Orçamento da União, na Reforma Tributária e nas outras agendas da equipe.