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US$ 16 bilhões anuais – esse é o preço de um Brexit sem acordo com a União Europeia, segundo declaração da Conferência da ONU sobre Comércio e Desenvolvimento. O prejuízo seria resultante da perda do Reino Unido de acesso preferencial aos mercados de países do bloco e aos países com o qual este tem acordos comerciais (são cerca de setenta países), sendo o setor automotivo o mais afetado de todos, com perdas de cerca de US$ 5 bilhões em comércio. O Reino Unido espera substituir tais acordos com pactos bilaterais, mas tais negociações são impossíveis de serem finalizadas até 31 de outubro, prazo final do processo de saída.

Boris Jonhson, primeiro-ministro britânico, trabalha arduamente em um meio de burlar a lei, aprovada na última semana, que o obriga a estender o prazo para o Brexit caso não haja acordo com a UE – um de seus planos é enviar uma carta a Bruxelas pedindo pelo adiamento, e outro seria uma outra carta, esta pedindo que a União Europeia rejeite a protelação deste. Johnson pode ser preso se descumprir a lei, mas está tentando contornar a decisão para o caso de o Parlamento ser recusar a aprovar a realização de novas eleições.

Mesmo com a recente renúncia de Amber Rudd, ministra do Trabalho e da Previdência, Johnson quer seguir o plano de deixar a EU com ou sem acordo. O premiê perdeu a maioria parlamentar com a fuga de 21 deputados conservadores, mas reiterou que não pretende entregar o acordo de “rendição”, como chamou a proposta do líder da oposição, Jeremy Corbyn. O próprio irmão de Johnson, que ocupa o cargo de ministro da Educação, saiu fora da base aliada dizendo-se dividido entre a lealdade à família e o interesse nacional.

Sem sucesso em suas investidas, o premiê conseguiu a suspensão dos trabalhos do Parlamento britânico de 9 de setembro a 14 de outubro, em mais uma tentativa de conseguir emplacar sua narrativa de colocar o Brexit em prática. Johnson não realizou nenhuma tentativa real de fazer acordo com a União Europeia, segundo a própria – não houve apresentação de propostas realistas ao Tratado de Retirada assinado pela antecessora de Johnson, Theresa May, o qual foi rejeitado três vezes no Parlamento.

Vários dos 27 países-membros declararam-se contrários ao movimento de saída do Reino Unido, mas é a França, por meio da figura do ministro das Relações Exteriores, Jean-Yves Le Drian, quem vem tomando a frente nas negativas, ao reclamar de mais um adiamento, aumentando ainda mais as chances de haver, de fato, um Brexit sem acordo.

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