Marcelo Camargo/Agência Brasil)

O presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, admitiu ser dele a ideia de abrir a nomeação de integrantes do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), agora Unidade de Inteligência Financeira (UIF), para pessoas de fora do serviço público. Em audiência na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE), Campos Neto afirmou que o governo, á princípio, nem foi favorável no primeiro momento, e que tal ideia atende a questão puramente técnica.

Segundo ele, a UIF utiliza o servidor da Serpro (Serviço Federal de Processamento de Dados) para processar sua grande base de dados, mas o servidor é lento e caro – com isso, faz-se necessário pensar em inovação tecnológica, e trazer alguém técnico da área de tecnologia deveria ser o primeiro passo. Antes vinculado ao Ministério da Economia, a UIF passou para o controle do BC por meio de Medida Provisória e fez parlamentares tremerem ao pensar em interferências políticas – algo refutado por Campos Neto, que reforçou que o BC é “órgão menos político de Brasília”, e que tal medida está sendo feita com o intuito de blindar a unidade de interferências do tipo.

Ele também defendeu os termos do Projeto de Lei Complementar 112, de 2019, de iniciativa do Poder Executivo, que visa à autonomia do BC, o que garantirá ainda mais blindagem técnica e operacional ao novo Coaf, que, segundo Campos Neto, não será “um departamento do banco”. De acordo com a MP editada pelo Governo Federal e que aguarda análise em comissão mista, a Unidade de Inteligência Financeira vai produzir e gerir informações para prevenção e combate à lavagem de dinheiro, ao financiamento do terrorismo, ao financiamento de armas de destruição em massa, além da interlocução institucional com órgãos e entidades nacionais, estrangeiros e internacionais conectados ao assunto.

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